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Balança comercial: Corrente de comércio caiu 5,7% em 2019

Estevão Taiar e Mariana Ribeiro

O indicador, que soma as exportações e as importações, passou de US$ 420,5 bilhões em 2018 para US$ 401,4 bilhões em 2019 A corrente de comércio, indicador considerado pela equipe econômica mais importante do que o saldo comercial, caiu 5,7% entre 2018 e 2019, pela média diária. A informação foi divulgada na tarde desta quinta-feira pelo secretário de comércio exterior do Ministério da Economia, Lucas Ferraz.

O indicador, que soma as exportações e as importações, passou de US$ 420,5 bilhões no ano retrasado para US$ 401,4 bilhões no ano passado.

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Ferraz chamou a atenção para o fato de a queda dos preços ter sido “muito maior” do que a queda dos volumes de exportação ou importação. “Isso sinaliza uma demanda internacional muito fraca”, disse.

O secretário ainda apresentou dados que mostram uma queda das exportações de 4,7% entre janeiro e setembro do ano passado, na comparação com o mesmo período de 2018. No entanto, quando são retirados da conta fatores negativos ligados ao comércio com a Argentina e a China, as exportações crescem 1,8% no mesmo tipo de comparação.

Ferraz disse que o objetivo central do governo na área de comércio exterior não é “a obtenção de saldos comerciais”, mas o “aumento do grau de integração”, visando contribuir com o aumento da produtividade e o crescimento do país.

“Nosso objetivo é aumentar a corrente de comércio sobre o PIB”, disse ele, completando que essa relação, hoje, gira em torno de 24%, “bem abaixo do esperado”.

Ele destacou que a dinâmica de comércio internacional vem caindo desde o início dos anos 2000, mas que, hoje, é observado “um aumento da incerteza na economia mundial”, com fatores como o Brexit e a guerra comercial. “A economia mundial não ficou imune a esse aumento de incertezas, e nem a economia brasileira”, afirmou Ferraz. “O crescimento do comércio mundial em 2019 é o menor desde 2009”, completou.

O secretário citou também “choques de curto prazo” que afetaram a economia brasileira. Entre eles, destacou a crise argentina, com impacto de US$ 5,2 bilhões sobre as exportações de manufaturados, e a crise da febre suína na China, com impacto negativo de US$ 6,7 bilhões sobre as exportações de soja.

Previsão para 2020

Durante a apresentação, o secretário ainda afirmou que o crescimento mais forte da atividade econômica brasileira previsto para 2020 deve elevar as importações e, consequentemente, pressionar o saldo da balança comercial.

“A economia brasileira está em clara trajetória de recuperação sustentável, puxada pelo consumo das famílias e investimento privado”, disse.

Para 2020, o governo projeta crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,3%, “cerca de duas vezes” mais do que o esperado para o ano passado.

Já o “menor dinamismo” do comércio internacional “veio para ficar e é um novo normal”, influenciando negativamente as exportações, de acordo com Ferraz.

Ele citou fatores que devem impactar negativamente as vendas para o exterior, como o menor crescimento da China, a incapacidade de a Índia assumir o papel de “novo motor da economia mundial” e realocação de investimentos causado pelas tensões comerciais entre EUA e China, com prováveis quedas de produtividade no médio e longo prazos.

As projeções oficiais do governo para o saldo da balança comercial e para a corrente de comércio (soma de exportações e importações) só serão divulgadas em abril.

O secretário reforçou, no entanto, que a tendência é que uma diminuição das tensões entre EUA e China, se confirmada, seja benéfica tanto para a economia brasileira quanto para a mundial. Ele ainda afirmou que a demanda por soja deve continuar fraca.

“Cerca de metade da produção suína [da China] foi comprometida e isso não se recupera da noite para o dia”, afirmou. Já a demanda do país asiático por carne deve continuar forte.