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Baixada Fluminense vive 'boom' da propaganda bolsonarista

·5 minuto de leitura

O perfil conservador das 13 cidades da Baixada Fluminense se transformou em um território fértil para o crescimento do bolsonarismo e o apoio de políticos eleitos pela região. Do total de municípios, pelo menos 11 são governados por prefeitos que defendem o presidente Jair Bolsonaro ou seguem alinhados com o governo federal. Na Câmara dos Deputados, os dez deputados federais da região da Baixada — com destaque para Hélio Lopes (PSL), de Nova Iguaçu, braço direito do presidente Jair Bolsonaro — têm votado majoritariamente com o Planalto. Na Alerj, dez dos 12 deputados estaduais que chegaram à Casa com votos da região são bolsonaristas.

Com 2,8 milhões de votos e um histórico de prevalência de políticos de direita, a Baixada Fluminense virou prioridade eleitoral da família Bolsonaro no Estado. O presidente somou cerca de 60% dos votos válidos no primeiro turno de 2018 na região. Para manter ou ampliar o capital político do pai, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota) tem articulado alianças em todas as cidades, tendo como principais ailiados os prefeitos Washington Reis, de Duque de Caxias, e Wagner dos Santos, de Belford Roxo, ambos do MDB e que elegeram aliados na Câmara e na Alerj.

Recentemente, a aproximação de políticos da região com o bolsonarismo ganhou um reforço. Ao assumir a posição de candidato do Planalto ao Palácio Guanabara, o governador Cláudio Castro, recém-chegado ao PL, quer formar uma frente ampla de prefeitos da região em apoio à sua reeleição. De olho em verbas e apoio às suas administrações, prefeitos têm afirmado aderir ao movimento, que prevê pedir votos em 2022 para Bolsonaro, Castro e seus aliados.

Grupos de bolsonaristas da Baixada, que reúnem políticos, empresários, donos de instituições de ensino e lideranças evangélicas, prometeram a Flávio Bolsonaro intensificar ações de apoio ao presidente. Em Nova Iguaçu, carros de som são usados para veicular mensagens sobre Bolsonaro, seu governo e investimentos na região. Redes sociais de políticos e influenciadores digitais da região também são utilizadas como instrumento de divulgação. Existe a previsão para o segundo semestre de cobrir as 13 cidades da região com outdoors com a imagem do presidente e mensagens com elogios e agradecimentos.

— Das nossas redes sociais, que têm uma média de 250 mil seguidores, pelo menos 10% são da Baixada Fluminense. Nossa proposta é manter a região como um QG do presidente Jair Bolsonaro no estado — diz o deputado estadual Anderson Moraes (PSL), que se intitula no plenário da Alerj como o deputado mais bolsonarista do Estado.

Anderson foi eleito com uma plataforma política conservadora. Filho da ex-vereadora de Nova Iguaçu Margareth Moraes, já morta, ele provocou polêmica recentemente ao propor a extinção da Uerj, sob alegação de que a instituição, com mais de 70 anos, enfrenta um aparelhamento ideológico com essência socialista. Notadamente esdrúxula, a proposta não terá abrigo para prosperar na Alerj, mas serviu para fazer barulho na internet. O parlamentar, que foi filiado ao PCdoB, esteve envolvido em denúncias de vinculação de perfis falsos no Facebook, que propagavam notícias falsas e foram removidos, ao seu gabinete. Moraes nega qualquer irregularidade. Ele também já tentou derrubar na Justiça medidas restritivas na capital durante a pandemia.

Seu colega de bancada Charlles Batista, que tem reduto eleitoral em São João de Meriti, conta que faz a ponte com o setor privado para tornar massiva a propaganda bolsonarista na região.

— Mantive contato com representantes do agronegócio do interior do estado, que instalaram outdoors de agradecimento ao presidente em cidades como Itaperuna. Vamos apresentar essa proposta para Baixada, que deve ser abraçada por empresários. Eles, em especial o comércio, estão com o Bolsonaro, que nunca defendeu o fechamento de atividades — relata o parlamentar, que é policial rodoviário, evangélico e já integrou a equipe de segurança de Flávio Bolsonaro.

A forte presença das igrejas neopentecostais, no vácuo da escassez de assistência e prestação de serviços do poder público, ajuda a entender a força de uma direita mais conservadora na região. Nas últimas décadas, a Igreja Católica vem perdendo espaço.

Deputada estadual mais votada no Rio em 2018, com reduto eleitoral em Queimados, Alana Passos (PSL) é uma bolsonaristas fervorosa. Ela credita o predomínio da direita na Baixada em boa parte ao perfil religioso crescentemente evangélico da população.

— Acredito que essa hegemonia da direita seja natural pelos moradores mais conservadores, com maioria de evangélicos — afirma Alana, uma das principais mobilizadoras de atos a favor de Bolsonaro mesmo fora do período eleitoral. — A atuação em prol da candidatura do presidente tem sido construída desde que me elegi. Os atos de apoio são constantes e procuro destacar nas minhas redes sociais o que o governo faz de positivo, mas que não ganha destaque na grande mídia.

Alana também adota uma postura aguerrida em seu mandato na Alerj. Fez muito barulho ao trabalhar contra o projeto batizado de “Escola Sem Mordaça”, aprovado pela Alerj e destinado a garantir a liberdade de cátedra dos professores da rede estadual. A proposta virou lei após o governador Cláudio Castro, aliado da deputada, sancionar o texto. Dias depois, pressionado pela base bolsonarista, Castro tentou voltar atrás e vetar a lei que ele próprio havia sancionado, mas foi dissuadido.

O professor e pesquisador da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) José Cláudio Souza Alves explica que mesmo quando conseguiu eleger alguns prefeitos, setores mais à esquerda do espectro político não tiveram força para mudar um histórico de vitórias eleitorais de um populismo mais à direita.

— A esquerda sempre teve dificuldade para crescer na Baixada, nunca criou uma política efetiva de crescimento econômico para a população menos favorecida, que é a maioria. Os governos de esquerda que chegaram a comandar prefeituras acabaram chamando políticos até de direita, para assumir secretarias ou faziam acordos eleitorais para vencer os pleitos — resume.

Alves acrescenta ainda um complicador do cenário político na Baixada: a histórica penetração do crime organizado no poder público. Há décadas, a população convive com a atuação de quadrilhas, como esquadrões da morte, milícias e do jogo do bicho. Além de exercer grande influências sobre governos locais, esses grupos também defendem, em geral, pautas mais conservadoras no campo moral.

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