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Bactérias com "escudos" magnéticos podem sobreviver à radiação de Marte

Um novo estudo liderado por pesquisadores chineses mostrou que alguns tipos de bactérias magnetotáticas (ou apenas “MTB”, na sigla em inglês), presentes em habitats de água doce e salgada, parecem ter potencial para sobreviver em Marte graças a “escudos magnéticos”. A conclusão vem de um experimento, em que um balão científico foi lançado ao espaço e expôs uma caixa de bactérias à radiação ultravioleta.

A Terra tem um campo magnético protetor, uma grande “bolha” que domina a região da magnetosfera e, assim, nos protege das partículas solares eletricamente carregadas. Já em Marte, não há campo magnético e a atmosfera é muito mais fina que a da Terra, de modo que o Planeta Vermelho fica exposto a níveis de radiação 17 vezes maiores que aqueles que incidem sobre nosso planeta.

O campo magnético terrestre protege nosso planeta da radiação perigosa do Sol e do espaço (Imagem: Reprodução/Michael Osadciw/University of Rochester)
O campo magnético terrestre protege nosso planeta da radiação perigosa do Sol e do espaço (Imagem: Reprodução/Michael Osadciw/University of Rochester)

Assim, a ideia do experimento era imitar as condições de Marte. Para isso, os cientistas lançaram para perto do espaço em 2020 uma caixa com amostras de bactérias variadas, incluindo as MTBs, com um balão de hélio de alta altitude; o material se manteve protegido até a tampa da caixa ser aberta, para expor as amostras por sete horas. Depois, os cientistas recuperaram-nas e estimaram quantas bactérias sobreviveram.

Os autores observam que o ambiente próximo do espaço, estimado entre 20 a 100 km acima do nível do mar, é um dos mais extremos na Terra: ali, há uma combinação de alta radiação, baixa pressão atmosférica, frio extremo e hiper aridez. “A radiação ultravioleta é uma das causas principais da mortalidade biológica no espaço”, ressaltaram.

Já as bactérias MTBs são microrganismos capazes de sintetizar nanominerais de ferro magnético, que servem como bússolas para as bactérias se deslocarem usando o campo magnético terrestre. Alguns tipos de MTBs sobreviveram a 23 km acima do nível do mar, enquanto as demais morreram — e essa diferença pode ser o resultado das partículas magnéticas delas, que talvez tenham ajudado a resistir à radiação.

Durante o experimento, as bactérias foram expostas à radiação a cerca de 20 km de altitude (Imagem: Reprodução/Handout)
Durante o experimento, as bactérias foram expostas à radiação a cerca de 20 km de altitude (Imagem: Reprodução/Handout)

Eles descobriram que o grupo que se manteve protegido por uma tampa opaca não teve diferenças significativas na taxa de sobrevivência, quando comparados àquele que se manteve no laboratório, e a sobrevivência das bactérias expostas caiu. Aquelas que não formaram magnetossomos (membranas com partículas magnéticas) tinham menor chance de sobrevivência.

Para os autores, a sobrevivência das MTBs na região próxima no espaço sugere que sejam candidatas valiosas para pesquisas futuras de astrobiologia. “Estudos posteriores sobre a exposição das MTBs, não apenas para o espaço próximo mas também para ambientes ao redor de estações espaciais, [como a] Estação Espacial Chinesa e a Estação Espacial Internacional, deveriam ser antecipados”, sugeriram eles.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Science Bulletin.

Fonte: Canaltech

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