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Bolsa de valores de São Paulo ignora feriado antecipado e funcionará normalmente

Por Paula Arend Laier
Foto: Cris Faga/NurPhoto via Getty Images

A B3 manterá todas suas atividades em 20, 21, 22 e 25 de maio, apesar da antecipação de feriados em São Paulo nos próximos dias decretada como medida para conter a disseminação do novo coronavírus.

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O anúncio da bolsa veio após decisão da prefeitura de São Paulo de antecipar o calendário de feriados no município, bem como a possibilidade de antecipação do feriado estadual de 9 de julho e tem como base comunicado do Banco Central nesta terça-feira, sobre o funcionamento dos serviços financeiros.

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O BC informou nesta terça-feira que, para fins de operações praticadas no mercado financeiro, o dia 11 de junho - data do feriado de Corpus Christi no calendário nacional - continuará sendo um dia não útil e, nesta quarta-feira, as operações ocorrerão normalmente.

De acordo com a B3, as atividades de registro, negociação, custódia, compensação e liquidação de operações funcionarão normalmente, em horários regulares.

São Paulo é o Estado brasileiro mais afetado pelo coronavírus, atingindo 63.066 casos e 4.823 mortes. Os índices de isolamento social apurados pelo governo estadual com base em rastreamento de celulares da população durante os dias de semana têm ficado abaixo de 50% e entre este patamar e 55% aos fins de semana e feriados.

Doria anunciou na segunda-feira que encaminharia à Assembleia Legislativa proposta para antecipar o feriado estadual de 9 de julho para a segunda-feira da próxima semana. Nesta terça-feira, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, sancionou proposta dele, aprovada pela câmara de vereadores na véspera, de antecipar os feriados de Corpus Christi e da Consciência Negra para quarta e quinta-feira desta semana, com a decretação de ponto facultativo na sexta.

A B3 já tinha informado na véspera que através do trabalho remoto, que chega a 95% de seus funcionários, e das medidas de contingência operacional dos últimos 60 dias, seria possível "cumprirmos nossa função de infraestrutura crítica e serviço essencial de forma segura".

Procurada pela Reuters, a prefeitura de São Paulo afirmou que por se tratar de feriado municipal não há proibição para o funcionamento de bolsa de valores e instituições financeiras, e acrescentou que é uma decisão dessas empresas funcionarem ou não, estando elas sujeitas a adequações trabalhistas. O governo de São Paulo não respondeu a pedido de comentário.

Dez entidades associadas à Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF) enviaram carta conjunta ao governo de São Paulo sugerindo que as instituições integrantes do sistema financeiro nacional ficassem de fora dos efeitos da antecipação dos feriados.

Entre os argumentos, entidades como Febraban, Abecip, Anbima, B3 e Ancord citam que o eventual fechamento de agências bancárias coincidiria com os desembolsos do auxílio emergencial prestado pelo governo federal, cujo pagamento da segunda parcela iniciou-se na segunda-feira.

A Caixa Econômica Federal disse que as agências do banco estatal funcionarão em todo o Estado para cumprir o calendário relacionado ao pagamento de auxílio.

QUEBRA DE CONFIANÇA

"A grande questão do feriado é a surpresa. Ser pego de surpresa não é algo que os investidores costumam gostar", afirmou o analista Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos.

Ele acrescentou que a bolsa se prepara, divulga o calendário de eventos com antecedência e literalmente, de um dia para o outro, acaba tendo que mexer nesta configuração.

"As perdas seriam, não só para a bolsa, como para o investidor. Tanto para o investidor de renda fixa, cujas rentabilidades são aplicadas em dias úteis, como os investidores de renda variável, que sem pregão, ficam sem liquidez para suas posições. Ambos acabariam sendo impactados, e justamente num momento onde o nível de transações tem aumentado."

Na visão de Arbetman, o cumprimento das datas pré-estabelecidas é condição essencial para que o sistema reúna a confiança necessária para ser acessado. "A quebra dessa confiança acarreta em efeitos além dos financeiros e fornece mais um motivo para legitimar a fuga de capital estrangeiro."

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