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B2B or not to be | Resumo semanal do mundo corporativo (de 16 a 20/12)

Rui Maciel

Bem-vindo ao nosso resumo semanal do mundo corporativo. Toda sexta-feira selecionamos as principais notícias que rolaram nos últimos dias para você ficar por dentro dos assuntos mais relevantes do momento.

Facebook não toma jeito

Atualmente, existem três coisas certas nessa vida: a morte, os impostos e que o Facebook vai se meter em alguma polêmica envolvendo a (falta de) privacidade de seus usuários. E, para completar, a empresa não se ajuda: isso porque a rede social confirmou que tem acesso a dados de localização do usuário, mesmo se ele desligar a opção. A informação veio de carta enviada aos senadores norte-americanos, Christopher A. Coons e Josh Hawley, em que o chefe de privacidade da rede social, Rob Sherman, explica como funciona o mecanismo.

Mark, meu filho...pare de espiar as pessoas...

A rede social usa o sistema de localização para refinar a oferta para publicidade. Quando o usuário permite que seja compartilhada esta informação, o Facebook coleta pelo sistema de GPS, log-in, lugares com tag e até o endereço de IP. De outra forma, os engenheiros conseguem também modificar APIs para ter acesso ao local da pessoa. “Uma função importante destas APIs internas é processar informações relativas ao local das pessoas em um nível de granularidade consistente com as escolhas que fizemos”, explica Hawley.

Por outro lado, a empresa deixa claro que tais informações são “grosseiras” e limitadas a cidades e locais oferecidos pelo endereço de IP. Mesmo assim, convenhamos, tais dados não deveriam ser capturados de quem optou por desligar o monitoramento. É o básico, não?

Com todos esses vacilos envolvendo privacidade, foi noticiado essa semana que a empresa ainda considerando desenvolver o seu próprio sistema operacional. Você usaria? Não ou nem a pau?

E por falar em vacilo...

...a International Rights Advocates - organização fundada, em 2007 para promover os direitos humanos - abriu um processo contra grandes empresas de tecnologia no mundo. Apple, Google, Dell, Microsoft e Tesla foram citados na ação judicial por suposto trabalho infantil na República Democrática do Congo.

As gigantes de TI na mira da Justiça

Na denúncia, as empresas são acusadas de saberem que o cobalto - material usado em baterias feitas com íon de lítio em smartphones e carros elétricos - que compram para seus aparelhos foi originalmente extraído por menores de idade. O processo traz a história de 14 crianças que trabalharam nessas minas e sofreram algum tipo de acidente com sequelas permanentes ou, pior, morreram. A organização busca levar o julgamento para o júri por crimes, como trabalho forçado. Os advogados também querem que as empresas envolvidas financiem "cuidados médicos apropriados" para os envolvidos "e limpem os impactos ambientais".

As empresas, claro, negam todas as acusações, dizem que só compram o cobalto de empresas certificadas, não compactuam com essas práticas e blá blá blá. Mas a pergunta que fica é: elas, de fato, se esforçam o suficiente para saber qual a origem desse material? Até porque algumas delas já têm um histórico de denúncias nesse sentido.

Com a palavra, a Justiça!

E por falar em vacilo - parte 2...

...na última terça-feira (17), o presidente e CEO da Samsung, Lee Sang-hoon, foi condenado pela justiça da Coreia do Sul a 18 meses de prisão por conta de violações às leis sindicais do país. De acordo com os promotores responsáveis pelo processo, Lee e outros 24 atuais e ex-diretores da fabricante sul-coreana, que também foram condenados, utilizaram táticas ilegais para impedir que os empregados de suas fábricas se organizassem em um sindicato, incluindo até mesmo o corte de salários daqueles que se sindicalizassem. Até mesmo fornecedores e consultores que apoiassem as entidades eram punidos.

Lee Sang-hoon verá o sol nascer quadrado. E sem poder usar seu Galaxy Note

Menos mal é que, de acordo com o The Wall Street Journal, a condenação do presidente da Samsung não deve causar nenhum tipo de impacto aos acionistas da empresa. Ainda assim, ela pode servir como uma forma de pressão para a companhia a mudar sua cultura interna.

E, para sermos justos, essa "epifania" pode até ter começado. Isso porque, nesse ano, a companhia, pela primeira vez, reconheceu um sindicato com mais de mil empregados, que se formou organicamente dentro da empresa. Além disso, no mês passado, funcionários da Samsung Electronics estabeleceram um novo sindicato próprio da companhia, que funciona como uma subdivisão de um dos maiores grupos sindicais da Coreia do Sul.

E segue o barco...

Voo de galinha

Depois de ser proibida pela FAA (Federal Aviation Administration - uma espécie de ANAC dos EUA) de continuar fabricando - e operando - as aeronaves 737 MAX, a Boeing optou por tomar uma medida drástica e que pode balançar o mercado: suspender a fabricação das aeronaves a partir de janeiro de 2020.

Os 737 MAX caíram em desgraça (com o perdão do trocadilho) desde os acidentes que culminaram com este problema para a fabricante. Para quem não se lembra, no fim de 2018 e no começo de 2019 aconteceram dois desastres — um na Etiópia e outro na Indonésia — que colocaram a até então "menina dos olhos" da Boeing em xeque. Tudo por causa do sistema MCAS, que visava dar mais segurança nas viagens, mas que acabou por ocasionar os dois acidentes fatais.

Desde que se descobriram a causa dos acidentes envolvendo os 737 MAX, as companhias áereas suspederam as encomendas do modelo e aqueles que já estavam construídos acabaram se acumulando na fábrica da Boeing, a ponto da empresa ser obrigada a guardar alguns deles no estacionamento de carros de seus funcionários (imagem abaixo).

E você reclamando que o estacionamento do shopping vive lotado, né? (Crédito da foto: KING 5/YouTube)

A medida deve repercutir na cadeia de suprimentos da gigante aeroespacial e na economia em geral, além, é claro, de trazer mais problemas para as companhias aéreas, que perderam centenas de milhões de dólares e cancelaram milhares de voos sem os aviões. Menos mal que a Boeing afirmou que não pretende demitir os trabalhadores de sua fábrica de Renton, no estado norte-americano de Washington, onde o 737 MAX é fabricado.

Bom, talvez essa tenha sido a melhor decisão. Afinal, a confiança na aeronave estava bem em baixa. Você voaria em um 737 MAX depois de tudo isso?

Preparem os currículos

Mas essa semana não teve apenas notícias ruins para as empresas de TI. Uma pesquisa da Glassdoor, aquele site onde todo mundo fala bem ou mal da empresa onde trabalha (ou trabalhou) de forma anônima, divulgou uma lista com as melhores companhias para se trabalhar no Brasil. E as de Tecnologia dominaram o ranking!

De acordo com a relação, a SAP (empresa de desenvolvimento de softwares para a gestão de empresas) ficou com o primeiro lugar; a ThoughtWorks (empresa de consultoria em tecnologia de informação e desenvolvimento de softwares de código aberto) chega em segundo lugar, seguida pelo Google completando o pódio em terceiro lugar. Além destas três companhias, a lista das dez melhores é completada pela Takeda Pharmaceuticals (4º lugar), Banco Votorantim (5º), MetLife (6º), Bain & Company (7º), Eurofarma (8º), McKinsey & Company (9º) e Nubank (10º).

Sim, snacks e massagem de graça e salários decentes ainda atraem as pessoas.

Como dissemos no primeiro parágrafo, a lista da Glassdoor, ao contrário de outros prêmios do tipo, não é feita a partir da percepção de analistas de mercado, mas pela contribuição dos próprios usuários dessas companhias, que falam como pe trabalhar por ali e se indicariam a companhia para um amigo ou conhecido. E é a partir desse feedback dos funcionários que a montagem do ranking é feita.

Sim, snacks e massagem de graça e salários decentes ainda atraem as pessoas.

E, como diria o Gaguinho, p-p-p-p-por hoje é só, pessoal! Nos vemos na semana que vem. Um Feliz Natal a todos e até lá!

Fonte: Canaltech