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Bélgica, uma engrenagem estratégica no esforço global contra a covid

Matthieu DEMEESTERE y Julien GIRAULT
·3 minuto de leitura

No mapa da indústria farmacêutica mundial, a Bélgica ocupa um lugar estratégico como um país reconhecido pelo apoio aos pesquisadores e pela estreita relação entre universidades e laboratórios, e que hoje possui diversos locais-chave para a produção de vacinas contra a covid-19.

Em Wavre, 30 km a sudeste de Bruxelas, onde fica a sede de sua divisão de vacinas, a gigante britânica GSK afirma estar participando do esforço global de combate à pandemia.

Além da produção de componentes para futuras vacinas da francesa Sanofi e da canadense Medicago, acaba de iniciar o processo para adaptar sua fábrica à vacina da jovem empresa alemã CureVac, atualmente na última fase de testes clínicos e que poderá ser autorizada na União Europeia (UE) em maio.

"Estamos colocando parte de nossa capacidade de produção a serviço de outras empresas para ir mais rápido", explicou Patrick Florent, CEO da GSK Vaccines, enquanto guiava uma equipe da AFP pelo vasto armazém dedicado à rotulagem e embalagem de ampolas.

O objetivo é produzir até 100 milhões de doses nesta fábrica belga em 2021, ou cerca de um quarto do total encomendado à CureVac pela Comissão Europeia.

A UE também está comprometida com cinco outras vacinas, algumas das quais também têm raízes na paisagem belga, onde estão localizados os 10 maiores laboratórios farmacêuticos do mundo.

A fábrica da Pfizer em Puurs, de onde a gigante americana abastece o planeta com vacinas, deu notoriedade internacional a esta cidade flamenga, até então conhecida principalmente entre os belgas pela cerveja Duvel.

- Fórmula mágica -

Quando a AstraZeneca anunciou atrasos nas entregas, no final de janeiro, devido a uma "queda de rendimento" em uma de suas fábricas, todos os olhares se voltaram para Seneffe, em Valônia, no sul francófono belga.

Nesta região que o grupo anglo-sueco delegou parte da fabricação do princípio ativo de sua vacina.

A situação foi um duro golpe para a americana Thermo Fisher Scientific (TFS), que em janeiro investiu 725 milhões de euros (US$ 880 milhões) para comprar da francesa Novasep esta emblemática empresa belga de biotecnologia, antes chamada Henogen.

Em 2019, a Bélgica representou cerca de 13% das exportações biofarmacêuticas da UE e cerca de 10% do investimento europeu em pesquisa e desenvolvimento no setor.

O país consolidou ainda mais seu domínio nos últimos dez anos, com a criação de quase 8.000 empregos no segmento, com mais de 30.000 pessoas no total atualmente.

Para a Essenscia, a federação da indústria, a "fórmula mágica" é "incentivar acadêmicos, cientistas e empresas a trabalharem juntos" com o apoio de fundos públicos.

"Essa colaboração resulta em pesquisas aplicadas que podem ser comercializadas" e que são capazes de atrair investidores, segundo o secretário-geral da entidade, Frédéric Druck.

- Infraestrutura preparada -

Com base no conhecimento desenvolvido nos campi universitários de Leuven, Ghent e Liège, entre outros, são criadas iniciativas de derivados para obter patentes a nível industrial, mobilizando também investidores privados, explicou Druck à AFP.

A Henogen, que nasceu de pesquisadores da Universidade Livre de Bruxelas com o apoio da gigante GSK, se encaixa perfeitamente nesse esquema, segundo Florent.

"Este é um bom exemplo do desenvolvimento deste tecido industrial na Bélgica. Aqui, a maioria das empresas 'spin-off' (subsidiárias) são bem-sucedidas porque o terreno é favorável", afirmou.

O país é conhecido por seus incentivos fiscais (redução de impostos para empresas se os lucros forem reinvestidos em pesquisa; vantagens condicionadas ao registro de patentes na Bélgica), mas também por suas facilidades regulatórias.

"A localização central na Europa e a excelente infraestrutura de transporte" também são pontos fortes para a Bélgica, disse David Gering, porta-voz da Associação para a Indústria Farmacêutica Pharma.be.

Dois grandes aeroportos do país têm certificação específica para a distribuição de produtos farmacêuticos, incluindo Bruxelas-Zaventem, por onde já passaram "mais de 15 milhões" de doses de vacinas para a pandemia, segundo a operadora do terminal aéreo.

mad-jug/ahg/mis/mr