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Azul quer reduzir salários em 15%, mas não garante empregos

IVAN MARTÍNEZ-VARGAS

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A companhia aérea Azul enviou nesta quarta-feira (25) uma proposta ao sindicato dos aeronautas (pilotos e passageiros) de acordo coletivo que prevê a redução de 15% dos salários-base dos seus funcionários em meio à crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. O texto, ao qual a reportagem teve acesso, não garante a preservação dos empregos.

Até terça-feira (24), a empresa era a única das três maiores do setor que não buscava reduzir os salários. Gol e Latam propuseram reduções de até 50% da parcela fixa paga aos trabalhadores o que, segundo o SNA (Sindicato Nacional dos Aeronautas) acarretaria em uma queda de até 80% na remuneração dos profissionais.

A proposta da Azul também prevê o adiamento dos pagamentos de PLR (participação nos lucros e resultados) sem data definida para o depósito dos valores.

O presidente do SNA (Sindicato Nacional dos Aeronautas) diz que, nesse quesito, a oferta da Azul é pior que as das duas principais concorrentes. "A Latam pagou a PLR em março, e a Gol quer postergar o pagamento para 31 de agosto", diz.

A proposta da empresa precisa ser aprovada pela categoria em assembleia digital.

Segundo representantes de aeronautas ouvidos pela reportagem, a oferta pegou os sindicatos de surpresa e foi mal recebida pela categoria. Isso porque a adesão de funcionários da Azul à licenças não remuneradas só foi massiva porque teria sido apresentada pela empresa como uma alternativa a reduções salariais e demissões.

A aérea, que tem cerca de 14 mil funcionários, teve a adesão de mais de 7.500 deles a seu plano de licenças não remuneradas.

Procurada, a Azul afirmou em nota que está tomando medidas para preservar o emprego de todos os seus funcionários, mas não explica porque quer reduzir os salários mesmo com metade de seus empregados em licença sem receber.