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Azul compra TwoFlex e cresce em Congonhas

Cristian Favaro

A Azul anunciou na terça-feira, 14, a compra da empresa de aviação regional TwoFlex por R$ 123 milhões. Apesar de pequena, a companhia tem 14 slots (autorizações de pousos e decolagens) na pista auxiliar do aeroporto de Congonhas, considerado central para as operações da Azul. A aérea diz ter usado recursos do próprio caixa para a aquisição.

"Eles (a TwoFlex) conhecem esse mercado sub-regional, o que pode ajudar a gente. Sempre somos procurados por governadores, por ministros, para voar para vários pontos do Brasil. Isso ajuda a atender às demandas", afirmou na terça-feira o presidente da Azul, John Rodgerson, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo/Broadcast.

A TwoFlex oferece serviço regular de passageiros e cargas para 39 destinos, dos quais apenas três já são atendidos pela Azul. Sua frota é composta por 17 aeronaves Cessna Caravan próprias e por um turboélice regional monomotor com capacidade para nove passageiros.

De acordo com Rodgerson, a frota da TwoFlex trará frutos importantes para a empresa, pois pode levar a Azul imediatamente para aeroportos que antes ela não entraria com os modelos ATRs. Um exemplo, segundo o executivo, são os voos para o Amazonas.

O valor da aquisição é baixo para o porte da Azul. No ano passado, a empresa tentou comprar a Avianca, que entrou em recuperação judicial no Brasil, sem sucesso.

A companhia pretende manter um ritmo anual de investimentos de R$ 6 bilhões nos próximos anos. O foco, entretanto, estaria mais na renovação da frota, com a aquisição de aeronaves, segundo o executivo. "Estamos sempre atentos e olhando para o mercado. Mas não vejo nada no curto prazo (de novas aquisições)", disse.

Congonhas.

A aquisição amplia a presença da Azul em Congonhas, principal aeroporto do País. "Qualquer oportunidade que possa haver de receber mais slots em Congonhas, vamos fazer", disse o presidente da aérea.

O Bradesco BBI apontou que a aquisição da companhia regional TwoFlex é positiva para a Azul. Os analistas Victor Mizusaki, Paula Athanassakis e Gabriel Rezende destacaram que os novos slots em Congonhas saíram barato. "A Azul está pagando R$ 8,8 milhões por slot no Aeroporto de Congonhas, o que é favorável se comparado ao valor estimado de R$ 15,8 milhões por slot operado pela companhia aérea pelo transporte aéreo entre São Paulo e Rio de Janeiro", apontaram.

Rodgerson destacou, porém, que Congonhas foi um dos pontos positivos do negócios, mas não o único. O executivo contou que a negociação começou em agosto de 2019, após a TwoFlex procurar a Azul. A empresa é considerada uma importante parceira da Gol no País para voos regionais.

Time.

O objetivo da Azul é integrar toda a equipe da TwoFlex, de cerca de 200 pessoas. "A Azul está crescendo e temos espaço para todo mundo. Parte da nossa equipe operacional vai começar a trabalhar junto. Vamos ver como podemos operar melhor esse ativo", destacou.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.