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Aversão ao risco no exterior arrefece e dólar encerra em leve baixa

Marcelo Osakabe

O sentimento de cautela que marcou o pregão desta quinta-feira acabou cedendo nas últimas horas de negociação do Brasil, permitindo que o dólar devolvesse a leve alta que exibiu durante boa parte do dia frente ao real. No encerramento da sessão, a moeda americana era negociada em baixa de 0,33%, a R$ 5,1577.

Lá fora, dados mostrando a forte contração do PIB da Alemanha e dos Estados Unidos deixaram o investidor avesso ao risco, o que motivou uma maior busca por proteção na moeda americana. Já na madrugada, a contração de 10,1% do PIB alemão não só superou a expectativa dos analistas, mas foi também a maior desde 1970. Em seguida, foi a vez de os EUA divulgarem uma queda de 32,9% do PIB americano em base anualizada no segundo trimestre, a mais intensa desde 1921.

O tombo da economia americana, no entanto, acabou ligeiramente menor que a expectativa dos agentes, que esperavam contração de 34,7%. Separadamente, foi divulgado que os pedidos iniciais de seguro-desemprego somaram 1,434 milhão na semana passada, também abaixo da estimativa de 1,450 milhão.

Para o estrategista-chefe do Mizuho para o Brasil, Luciano Rostagno, os dados ligeiramente melhores que o esperado no EUA ajudaram a limitar o avanço da moeda americana no Brasil. "É preciso lembrar que o real é a moeda que mais se desvalorizou no ano, então notícias positivas tendem a favorecer mais a nossa moeda que outras emergentes", disse.

Para o profissional, outro ponto que reforça que o fator técnico de mercado pode estar se sobrepondo a outras considerações neste momento é o fato de que o déficit primário do governo central veio pior que algumas estimativas de mercado, o que deveria ser um fator negativo para a moeda brasileira. Segundo o Tesouro Nacional, o resultado do governo central ficou negativo em R$ 417,2 bilhões no primeiro semestre, o pior resultado em 20 anos. Apenas em junho, esse rombo chegou a R$ 194,7 bilhões.

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