Aversão ao risco faz Bovespa voltar ao nível de setembro

Na véspera do feriado da Proclamação da República a aversão ao risco tomou conta dos negócios e levou a Bovespa a registrar uma nova queda e a perder um importante suporte, em torno dos 56.500 pontos. O cenário externo continua sendo o responsável pelo pessimismo. Logo cedo, o mercado recebeu notícias de greves em diversos países europeus contra a política fiscal adotada após a crise, queda na produção industrial da zona do euro, e recuo no PIB de Portugal e da Grécia no terceiro trimestre.

Além disso, a Espanha voltou ao foco de atenções após o comissário de Assuntos Econômicos e Monetários da União Europeia, Olli Rehn, ter sugerido no começo da tarde que está tudo bem com a Espanha. Nos EUA, os indicadores tiveram desempenhos mistos. Por aqui, o movimento levou os investidores a se desfazerem dos principais papéis que compõem o Ibovespa - Vale, Petrobras, siderúrgicas e bancos.

O principal índice da Bolsa encerrou com declínio de 2,10%, aos 56.279,36 pontos - menor pontuação desde 4 de setembro, quando fechou em 56.233,90 pontos. Com isso, o índice apagou os ganhos no mês e no ano, passando a registrar queda de 1,38% e 0,84%, respectivamente. Na mínima, o índice atingiu 56.038 pontos (-2,52%) e, na máxima 57.472 pontos (-0,02%).

Para o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, as incertezas sobre os Estados Unidos e a Europa - Grécia e Espanha - são grandes, mas, além disso, contribui o fato de hoje ser véspera de um feriado prolongado, em que os profissionais trabalharão em esquema de plantão. "Aqui tem a questão que ninguém fica comprado em feriado. Não é um ambiente propício para ativo de risco", ponderou, lembrando ainda que a União sindical na Europa é muito forte e que os sindicatos estão organizando um greve geral muito grande, "do tamanho de um país que tem um moeda única". O que pode trazer mais volatilidade os negócios.

Por aqui, os investidores estrangeiros resolveram vender os papéis de maior liquidez, o que levou a Petrobras e a Vale a amargarem forte queda. O papel ON da petroleira caiu 3,36% e o PN, -3,27%, em linha com o petróleo no mercado internacional. Já a ação ON da mineradora registrou declínio de 1,80% e a PNA, -1,85%.

Também registraram queda Gerdau PN (-2,60%), Gerdau Metalúrgica PN (-2,36%), Usiminas PNA (-0,09%) e Siderúrgica Nacional ON (-3,98%).

Entre as instituições financeiras, o Bradesco caiu 0,80%, Itaú Unibanco (-1,38%), o Banco do Brasil ON (-0,14%) e as units do Santander (-2,59%).

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