Após avaliação da Moody's, Petrobras quer reduzir custos em R$ 32 bilhões

Rio de Janeiro, 19 dez (EFE).- A Petrobras anunciou nesta quarta-feira um plano para reduzir R$ 32 bilhões em despesas operacionais até 2016, depois que uma agência de classificação de risco ameaçou baixar sua nota.

A meta será atingida "gradual e progressivamente" a partir de 2013 ao aplicar cortes em 515 iniciativas nas áreas de prospecção e produção, refino, transporte, gás e adubos, entre outros, segundo um comunicado enviado à Bolsa de São Paulo.

A Petrobras assegurou que nos últimos meses, desde o último mês de junho, começou a elaborar este plano detalhado, que será implementado a partir de janeiro.

A companhia petrolífera acumulou despesas operacionais de R$ 63 bilhões em 2011, segundo o comunicado.

Na segunda-feira passada, a agência de risco Moody's manteve a nota de risco da Petrobras em A3, mas alterou a perspectiva de "estável" para "negativa", o que se deve principalmente ao aumento dos níveis de dívida da companhia e à "incerteza" sobre os prazos para o cumprimento de suas metas de aumento da produção.

A Moody's mostrou preocupação pelos custos elevados, o grande plano de investimentos da companhia e a "elevada" dependência dos planos do Governo Federal, que influi em seus projetos de explorar em águas profundas e impõe requisitos de usar mão de obra e produtos nacionais, o que "afetará" seu desenvolvimento futuro.

A Petrobras registrou no segundo trimestre perdas de R$ 1,346 bilhão, seu primeiro resultado negativo em 13 anos.

A companhia atribuiu as perdas à desvalorização do real frente ao dólar, o que encareceu sua dívida em divisa estrangeira, e a outros fatores como uma diminuição da produção de petróleo por trabalhos de manutenção de vários poços e à "defasagem" dos preços dos combustíveis, que não subiram por pressão do Governo.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou hoje que os preços da gasolina aumentarão em 2013, mas não quis precisar o tamanho do aumento nem a data.

Essa declaração de Mantega impulsionou a cotação das ações preferenciais da Petrobras, que, na metade do pregão de hoje, disparavam 3,57% no Ibovespa. EFE

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