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Auxílio que o governo Bolsonaro queria poderia 'afundar' PIB; entenda

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'Coronavirus' escrito em calculadora
Consumo das famílias teria diminuído entre 11% e 14,7% sem auxílio
(Getty Creative)
  • Estudo mostra que PIB cairia 14,8% se auxílio emergencial fosse menor 

  • Ideia inicial do governo era pagar R$ 200; valor subiu para R$ 600

  • Dessa forma, desembolsos ajudaram a estabilizar a economia 

Em 2020, a queda do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro foi de 4,1%. Entretanto, o indicador poderia ter tombado para algo entre 8,4% e 14,8% se o governo federal tivesse dado continuidade à ideia de R$ 200 de auxílio emergencial em vez do R$ 600 depositados por mês.

É o que mostra um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), que apontou como o aumento do valor depositado às famílias em vulnerabilidade possibilitou que os impactos negativos causados pela pandemia fossem menores.

"Nossas simulações indicam que, com um gasto equivalente a 4,1% do PIB de 2020, o Auxílio foi responsável por evitar que nossa economia caísse entre 8,4% e 14,8% do ano passado", afirma a nota.

Benefício ajudou no consumo das famílias

Na ausência do benefício, o consumo das famílias teria diminuído entre 11% e 14,7%, em contraste com os 6% atuais. Os dados levam em conta os valores desembolsados pelo governo até o dia 9 de fevereiro de 2021, data em que o auxílio foi interrompido.

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Na tarde desta terça-feira, 21, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi alvo de chacotas ao anunciar, na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) que o governo concedeu "um auxílio emergencial de US$ 800 para 68 milhões de pessoas" em 2020. Apesar de não ser mentira, a fala estava descontextualizada, já que o valor de US$ 800 é o que cada trabalhador informal recebeu no ano e não por mês – totalizando um desembolso de R$ 293,1 bilhões.

Ainda de acordo com o estudo, o auxílio emergencial não só foi um estabilizador da economia como sua interrupção abrupta poderia fazer com que o índice de pobreza aumentasse no Brasil.

"É possível concluir que, apesar da magnitude elevada de nossos gastos no combate à pandemia em proporção ao PIB – entre os vinte maiores do mundo, segundo o FMI – seus impactos macroeconômicos foram substantivos. Desta forma, a interrupção abrupta do benefício pode não apenas elevar indicadores de pobreza e desigualdade, como também prejudicar nossas perspectivas de retomada econômica em 2021", finaliza a nota.

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