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Extensão do auxílio emergencial vira dilema para Bolsonaro sair da lona

Matheus Pichonelli
·3 minuto de leitura
BRAZIL - 2020/05/25: In this photo illustration an Auxílio Emergencial logo seen displayed on a smartphone. (Photo Illustration by Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)
Foto: Rafael Henrique/Sopa Images/LightRocket (via Getty Images)

Na contramão do país, Morro do Agudo de Goiás, município de 2.232 habitantes do interior goiano, registrou aumento de 683% no estoque de emprego formal desde o início da pandemia. Na localidade, que fica a 201 quilômetros da capital, Goiânia, quase metade da população (48,2%) recebia o auxílio emergencial.

Morro do Agudo é exemplo de um fenômeno observado pelos repórteres Thiago Resende e Bruno Boghossian a partir de dados dos ministérios da Economia, da Cidadania e do IBGE e publicado nesta segunda-feira na Folha de S.Paulo. O levantamento mostra que os municípios com melhores resultados na geração de empregos com carteira assinada durante a pandemia são justamente os que tiveram maior cobertura do programa.

Os números dão a dimensão da dificuldade que o governo terá em alavancar a economia e, consequentemente, sua popularidade, sem o auxílio emergencial em um momento em que os casos de morte e contaminação voltam a explodir e as medidas de restrição social se tornam inevitáveis.

Com o dinheiro do auxílio, muitas famílias conseguiram garantir a sobrevivência ao longo da crise sanitária. Mais que isso, ajudaram a dinamizar a economia em suas cidades, principalmente no interior.

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Por demérito próprio, o governo Bolsonaro iniciou um ano tendo de lidar com UTIs lotadas, falta de oxigênio em hospitais e uma série de travas para colocar em campo um grande plano de vacinação em massa. Enquanto outros países caminham para a normalidade, por aqui economistas já começam a rever para baixo as projeções do desempenho econômico para o ano.

A extensão da crise sanitária, agravada pelo negacionismo do presidente, colocou o governo diante de uma escolha de vida ou morte. De um lado, seguir a cartilha do mercado, hoje uma das âncoras de apoio do presidente que já começa a ser assombrado pela palavra “impeachment”. De outro, encontrar meios para prorrogar um benefício que sempre apresentou como temporário.

A escolha da segunda opção pode balançar os pilares da expectativa do mercado em torno do teto de gastos. Nos veículos especializados noticia-se a palavra “temor” para descrever a expectativa de investidores em relação à prorrogação do auxílio. A equipe econômica desconversa. Seus representantes avaliam que a explosão de casos de contaminação é pontual, resultante das festas e aglomerações do fim de ano, e que não vai alterar as projeções da retomada. Poucos querem pagar pra ver.

Neste momento, para Bolsonaro, seguir as recomendações do mercado significa ver sua popularidade sangrar um pouco mais a cada dia.

Pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana mostrou que chega a 40% o número de brasileiros que consideram seu governo ruim ou péssimo (era de 32% em dezembro). Já os que aprovam a gestão caíram de 37% para 31%. Não é uma queda drástica, mas deveria ligar o sinal de alerta.

A rejeição a Bolsonaro cresceu dez pontos percentuais entre os que recebiam o auxílio emergencial que o governo pretende deixar de pagar. Entre os que recebem até dois salários mínimos, a popularidade do presidente caiu oito pontos --isso após aumentar 15% desde o início do programa. A rejeição cresceu 13%. No Nordeste, os que avaliam o governo como ruim ou péssimo somam agora 43% -- eram 34% nos tempos de auxílio.

A esta altura do campeonato, apenas 19% dizem sempre confiar nas palavras do presidente, menos da metade daqueles que dizem nunca confiar nele (41%). Fica evidente que a Bolsonaro só conseguiu vitaminar a popularidade e atravessar a crise com a expansão do auxílio, que chegou a R$ 600 por pressão do Congresso.

Sem o benefício, Bolsonaro é um presidente vulnerável que não consegue sair da lona ao explicar por que sua diplomacia priorizou as botinadas infantis contra parceiros comerciais em vez de enfrentar a crise sanitária como deveria.

Fora daqui, os países que já começaram a vacinação serão os primeiros a visualizar uma certa normalidade na pista da economia. Por aqui, falta oxigênio nos hospitais.