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Decisões do governo Bolsonaro podem levar à explosão da miséria em 2021, diz pesquisador

Luiz Anversa
·4 minuto de leitura
São Paulo, SP, Brazil, July 28,2019 People who spend their nights sleeping on the streets, under marquees, in squares, under overpasses and bridges are considered homeless people.
São Paulo, SP, Brazil, July 28,2019 People who spend their nights sleeping on the streets, under marquees, in squares, under overpasses and bridges are considered homeless people.

2021 mal começou e as previsões para a economia não parecem muito animadoras. Principalmente por causa do fim do auxílio emergencial, ferramenta que foi muito importante para famílias pobres atingidas em cheio pela pandemia, mas que também beneficiou o circuito econômico como um todo, especialmente o comércio local. Mesmo assim, o desemprego hoje no Brasil ultrapassa os 14%, de acordo com o IBGE.

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Segundo dados do próprio governo federal, estima-se que 68 milhões de pessoas foram beneficiadas direta ou indiretamente pelo auxílio. As primeiras cinco parcelas do benefício eram de R$ 600 e as quatro últimas caíram para R$ 300.

Sem esse aditivo, as previsões são de uma explosão no número de famílias que voltem à miséria e extrema pobreza. No Brasil, hoje, os miseráveis são 39,9 milhões de pessoas, segundo o Ministério da Cidadania. Já as famílias na pobreza extrema são 14 milhões, de acordo com o CadÚnico (cadastro para programas do governo federal).

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Para Leandro Ferreira, presidente da Rede Brasileira de Renda Básica, uma saída seria o governo aproveitar a estrutura montada pelo auxílio emergencial e fortalecer o Bolsa Família. De acordo com o Ministério da Cidadania, 95% das famílias do Bolsa Família migraram para o auxílio emergencial pelo valor ser maior (no Bolsa Família o pagamento médio é de R$ 190).

O especialista também aponta que programas de transferência de renda deveriam passar ao largo do teto de gastos.

Confira os principais trechos da entrevista:

Yahoo Finanças - Com o fim do auxílio emergencial, o que vai acontecer com essas famílias mais pobres beneficiadas pelo programa? O governo tem um Plano B?

Leandro Ferreira: O auxílio foi programado para existir enquanto durasse a pandemia. A pandemia está se prolongando e agravando. O mercado de trabalho vai demorar mais para se recuperar, como é de costume. Famílias não terão renda e qualquer perspectiva de melhora social. Haverá uma explosão da miséria e da pobreza. Os programas já existentes não tiveram a atenção devida do governo. O último reajuste do Bolsa Família, por exemplo, foi no governo Temer (2016-2018) e já abaixo da inflação. Aumento real mesmo foi em 2014.

YF - Uma solução seria encorpar o Bolsa Família ou criar outro programa de assistência, como foi falado do Renda Brasil?

Leandro: O Bolsa Família precisava melhorar tanto em valores como no seu desenho. Era o que tinha de melhor, reconhecido internacionalmente. Com o fim do auxílio, o Bolsa Família poderia ter sido fortalecido. O governo teve meses para se programar para isso e não fez nada. Daí também precisamos falar do teto de gastos. É preciso rever o dispositivo e não acabar com ele. Programas de combate à pobreza deveriam poder furar o teto de gastos. Eles são importantes pois sustentam a economia e ajudam essas famílias na pobreza. A cada um real investido no Bolsa Família o PIB cresce 1,78 centavos.

YF - O país pode passar por uma convulsão social por causa desse aumento no número de pessoas muito pobres?

Leandro: Vamos aprofundar essa desigualdade, gerando situações graves, saques e aumento da violência. As pessoas irão buscar uma alternativa, claro, mas terão muitas dificuldades. Veja o caso da população de rua. Em São Paulo, há uma mudança do perfil dessas pessoas. Famílias inteiras agora não têm onde morar. É um problema de longo prazo e as situações vão se agravar mais.

YF - Existe algum modelo de transferência de renda adotado em outro país que podemos importar para cá?

Leandro: Há alguns anos não falávamos em importar nossas políticas públicas, mas sim em exportar nosso modelo de transferência de renda. O Bolsa Família foi elogiado por FMI e Banco Mundial. O programa é uma pista por onde começar e pode ser uma renda básica universal.

YF - Já existe no País um modelo de transferência de renda que pode ser usado como referência para o governo federal?

Leandro: Em Maricá, no Rio de Janeiro, o programa de renda básica serve para todo mundo. É um cadastro único cujo programa tem uma estrutura muito boa. O grande mérito é que se paga um valor bom, incondicional e fixo. E o mais importante: individual. Tudo bem que Maricá conta com recursos da renda do petróleo etc, mas ali tem uma boa ideia que poderia ser replicada pelo Brasil

YF - A Renda Básica tem futuro ou é apenas um projeto com poucas chances de se firmar?

Leandro: O projeto da renda básica do vereador Eduardo Suplicy já foi aprovado pelo Congresso e a lei diz que será implementado por etapas. O ideal seria o Bolsa Família usar a estrutura do auxílio emergencial para se expandir.