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Auxílio emergencial e oferta de produtos vão definir tamanho da inflação, dizem economistas

EDUARDO CUCOLO
·5 minuto de leitura
***ARQUIVO***SÃO PAULO: Calculadora científica. (Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO: Calculadora científica. (Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Brasil vive hoje um movimento generalizado de alta de preços de alimentos e insumos para diversos setores que poderá ser contido caso sejam resolvidas três questões que pressionam a inflação: a falta de alguns produtos, as medidas de estímulo adotadas durante a pandemia e a taxa de câmbio.

Na avaliação de economistas ouvidos pela Folha de S.Paulo, a inflação deve ficar em torno de 3% neste e no próximo ano, abaixo do centro da meta fixada pelo governo de, respectivamente, 4% e 3,75%.

Para que isso ocorra, contam com o fim do desequilíbrio entre oferta e demanda de produtos que afeta empresas em vários países. Também esperam que governo federal e Congresso mantenham o compromisso de preservar o teto de gastos e retomar o ajuste fiscal em 2021, o que ajudaria a derrubar a taxa de câmbio que também tem encarecido produtos importados e exportados pelo Brasil.

A alta da inflação é uma das questões que serão analisadas na reunião desta quarta-feira (28) do Copom (Comitê de Política Monetária), colegiado do Banco Central que deve manter a taxa básica de juros nos atuais 2% ao ano.

Na semana passada, o IBGE divulgou o IPCA-15, indicador que funciona como uma espécie de prévia do índice oficial de inflação, e que registrou em setembro sua maior alta desde 2012, de 0,45%, acima das estimativas do mercado.

Enquanto o índice, que é uma média e representa uma cesta de consumo, sobe 2,65% em 12 meses, o preço de alguns alimentos acumula alta superior a 30%. O IGP-M, índice de preços no qual pesam mais os preços ao produtor, acumula alta de 18%. O grupo matérias-primas brutas subiu 57% no período.

O economista André Braz, coordenador de índices de preços do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), afirma que há setores muito pressionados pelo aumento das matérias-primas, como automobilístico, alimentação e construção civil.

Segundo Braz, parte disso são efeitos cambiais. O real desvalorizado favorece a exportação, o que é ruim para a inflação porque desabastece o mercado brasileiro. Também deixa mais caros produtos importados, como grãos e outras commodities que já estão subindo também em dólar no exterior.

"Há um espalhamento da inflação ao produtor. Toda a cadeia de derivados dessas matérias-primas também sobe. Há facilidade para repassar esse aumento de custos para os derivados, sejam agrícolas ou industriais. Isso está diminuindo a margem de vários segmentos industriais, que não veem condição de repassar essa pressão para o preço final. A indústria está com margens mais apertadas", afirma o economista.

"Os únicos segmentos que ainda admitem repasses mais fortes são alimentação e, agora, a construção civil. A inflação ao consumidor está muito concentrada em alimentos. Ele tem pouco fôlego para direcionar recursos para outras despesas."

Rafaela Vitória, economista-chefe do banco Inter, afirma que outro fator que pressiona a alta das matérias-primas é a interrupção de algumas cadeias produtivas por causa das paralisações durante a pandemia, mas avalia que demanda e oferta devem se equilibrar em pouco tempo.

A economista afirma que não prevê uma contaminação da inflação de insumo para os serviços e produtos de forma generalizada e que a economia ainda fraca impede repasses desse aumento de custos.

"A gente não vê muito espaço para repasses. A gente está saindo de uma crise forte, com nível de renda ainda muito deprimido. Houve esse impulso do auxílio emergencial, que vem beneficiando alguns setores específicos, mas aqueles em que a demanda está se recuperando de maneira mais lenta não vão ter poder de repasse", afirma Vitória.

Para ela, a política fiscal é o fator mais importante para o controle da inflação.

"Uma política fiscal contracionista, com o governo gastando menos, leva a um bom controle da inflação. Isso ajuda no câmbio, que pode ter uma valorização. Quando o auxílio for retirado, a partir de janeiro, por mais que ele venha a ser substituído pelo Renda Cidadã, vai ter uma dimensão muito menor e é esperado um enfraquecimento da demanda nesse primeiro momento, que pode contribuir também para uma desaceleração do IPCA."

O economista-chefe do BNP Parribas Brasil, Gustavo Arruda, também afirma que a retomada do ajuste fiscal e o fim do auxílio são importantes para o controle da inflação em 2021. "A resposta vai depender do fiscal. Se o governo optar por seguir com teto de gastos e não seguir com o auxílio no ano que vem, a gente pode esperar o câmbio mudando de direção", afirma.

Para ele, o auxílio emergencial também contribuiu para o descompasso momentâneo entre oferta e demanda de produtos que resultou em aumentos de preços restritos a alguns segmentos.

"Por um lado, as empresas estão voltando a produzir. Do lado da demanda, o governo já diminuiu a transferência de renda pela metade. Se a gente não tivesse já em um processo de redução do 'coronavoucher' e tivesse um risco de continuação das políticas implementadas durante a pandemia no ano que vem, de fato a gente teria uma aceleração de inflação."

Daniel Xavier, economista-sênior do banco ABC Brasil, também afirma que o choque inflacionário é temporário, tanto nos alimentos como em produtos que sofrem restrições de oferta, como vestuário.

Ele afirma que os núcleos de inflação, indicadores que o Banco Central olha com mais atenção, tiveram ligeira aceleração recentemente, mas ainda estão em torno de 2% e 2,5%. Por isso, as expectativas de inflação continuam abaixo da meta.

"O choque não é duradouro. A gente não trabalha com hipótese de rompimento do regime fiscal e espera que o Renda Cidadã siga um regime de disciplina fiscal. Com isso, o câmbio tende a ceder e há uma descompressão da inflação no atacado", afirma Xavier.

"Também é natural que várias cadeias produtivas estejam desalinhadas, mas a tendência é que isso também volte à normalização."

Nas últimas quatro semanas, a projeção de IPCA para 2020 passou de 2,05% para 2,99%, acima do piso da meta de inflação (2,5%), mas ainda abaixo do objetivo central (4%), segundo o boletim Focus do BC. Para 2021, subiu de 3,01% para 3,10% em 2021, para uma meta de 3,75% (piso de 2,25%).

Apesar da inflação abaixo da meta, a estimativa para a taxa básica de juros passou de 2,5% para 2,75% no período. Para 2022, a meta é de 3,5%, mesmo valor da projeção dos analistas consultados, com uma Selic de 4,5%.