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Autossabotagem no trabalho: quando o inimigo é você

Foto: Getty Images

Por Eliete Oliveira*

Trabalhando com pessoas e organizações ao longo de vinte anos, frequentemente recebia a mesma reclamação dos profissionais: “Não me sinto valorizado profissionalmente.”

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Eram inúmeros os motivos: “Estou trabalhando há dez anos na mesma função”, “vejo meus colegas sendo promovidos e eu não”, “tenho certeza que meu chefe não gosta de mim”, dentre outros.

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Saiba que muitas das atitudes que temos no nosso dia-a-dia são baseadas em percepções do nosso cérebro de maneira “automática” e que muitas vezes não percebemos. Daniel Kahneman afirma em seu livro “Rápido e Devagar – Duas maneiras de Pensar”, que existem dois “sistemas” em nosso cérebro: um intuitivo, rápido e emocional, e outra lento, deliberativo e lógico. No primeiro tendemos a ter reações intuitivas, julgamentos rápidos e é o que mais confiamos para a maioria das decisões. Este processo também é o que leva a maioria das distorções e ações precipitadas.

Já parou para pensar nos sentimentos que tem ao longo dia? Em muitos deles não “racionalizamos” muito nossas decisões. No trabalho, quando você se sente desvalorizado, seu cérebro passa a te enviar comandos, que fazem com que comece a tomar determinadas atitudes. Com isso você pode passar a chegar atrasado, tomar cafezinho dez vezes por dia, entrar o dia inteiro nas redes sociais e não realizar o trabalho com a mesma qualidade que antes.

Quando isso acontece, é sinal de que você começou – sem perceber - a se autossabotar. Começou a produzir munição para que digam: “Ele não está atendendo as expectativas”. Sem se dar conta, assumiu uma atitude passivo-agressiva que não resolverá o problema — pelo contrário, só irá fazer com que se agrave.

Mude sua forma de pensar

Existe algo muito peculiar no comportamento de um golfinho: se ele fizer uma pirueta e você der um peixe, ele fará outras sucessivamente, até o momento em que não receberá mais o alimento. Ele, então, repetirá, só que desta vez, dez vezes melhor que a primeira, porque sabe que agindo assim, ganhará a recompensa. Na nossa vida profissional temos que agir da mesma forma. Precisamos fazer o melhor e nunca comprometer a qualidade do nosso trabalho em razão do nosso descontentamento.

Para que possamos encontrar soluções para a desvalorização profissional, devemos, antes de tudo, entender as diversas nuances que existem dentro das relações empresariais e que dizem respeito às políticas que as empresas adotam. Precisamos procurar descobrir como a empresa trabalha o desenvolvimento profissional de seus empregados, além do sistema de avaliação e quais são os critérios.

Mesmo que a empresa não possua uma política formal, algum método deverá existir e você precisa estar inteirado em relação a ele. Pedir feedback, mesmo que seu líder não dê, é uma boa maneira de entender isso. Também é importante ter a percepção de como está o relacionamento com seu líder e a equipe, para resolver conflitos que possam impedir o seu crescimento.

É claro, não existem empresas perfeitas, nem todas são justas e existem inúmeros “poréns” no meio do caminho. Mas vejo profissionais que ficam dez, quinze anos em uma empresa, reclamando que nunca foram valorizados. Agora pare para pensar: se a empresa era tão ruim, por que você ficou tanto tempo mesmo não sendo valorizado? Cada um sabe o porquê da sua insatisfação e o motivo para não pedir demissão, mas muitas vezes, ficar tanto tempo em uma empresa reclamando, pode demonstrar um certo comodismo da nossa parte.

Lembre-se: se você está fazendo o seu melhor e não está ganhando o peixe, talvez seja o momento de mudar de piscina.

*Eliete Oliveira é consultora de recolocação profissional e Top Voice do LinkedIn. No Yahoo Finanças, ela fala sobre carreira e os dilemas do mundo corporativo.