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Autoridades se posicionam contra racismo da rede Carrefour após espancamento até a morte de homem negro

João de Mari
·3 minuto de leitura
MARSEILLE, FRANCE - 2020/11/16: Carrefour hypermarket logo seen in Marseille. Carrefour France has placed 82% of its workforce on short-time work because of reduced activity due to Covid-19. 78,000 employees are affected by this measure. (Photo by Gerard Bottino/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)
João Alberto Silveira Freitas foi espancado por dois seguranças brancos até a morte (Foto: Gerard Bottino/SOPA)

Autoridades se posicionaram nas redes sociais nesta sexta-feira (20), Dia da Consciência Negra, contra o racismo em uma unidade em uma unidade do Carrefour em Porto Alegre (RS), onde um homem negro, identificado como João Alberto Silveira Freitas, foi espancado por dois seguranças brancos até a morte.

“O assassinato do jovem negro João Alberto Silveira Freitas, espancado até a morte por seguranças do Carrefour, em Porto Alegre, é revoltante e mostra a persistência da violência escravocrata no Brasil”, escreveu no Twitter a ex-presidente Dilma (PT).

Ela ainda afirmou que a “história de nosso país está manchada por 350 anos de escravidão e mais 170 anos de violência racista, exclusão da cidadania e profunda desigualdade impostas à majoritária população de negras e negros. O Dia da Consciência Negra é, assim, dia de luto e de luta”.

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“Só haverá paz e democracia plena quando o racismo estrutural for enfrentado, punido e destruído e a sociedade aprender que não basta não ser racista, é preciso ser antirracista e lutar contra todas as formas desta discriminação”, concluiu.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB) também utilizou o Twitter para se posicionar contra a morte de João Alberto Silveira Freitas.

“Causa repulsa e indignação o espancamento até a morte de um homem negro em Porto Alegre. No Dia da Consciência Negra, estas cenas de racismo demonstram o quanto precisamos evoluir para termos uma sociedade mais justa e igualitária”, escreveu o governador.

Doria, no entanto, não se manifestou sobre um vídeo que circula desde a noite de quinta-feira (19), onde é possível ver dois policiais militares agredindo um jovem negro, que não foi identificado, com tapas, socos e, em determinado momento, utilizando até um capacete na agressão. Os agentes foram afastados.

A polícia de São Paulo bateu recorde de letalidade no primeiro semestre deste ano sob gestão de Doria com mais de 500 mortos de janeiro a junho. Em média histórica, 80% dos mortos pela polícia no Estado são negros.

A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) classificou o caso como “pesado ser uma pessoa negra, no Dia da Consciência negra e ser espancada até a morte”.

“Pesado uma pessoa ser espancada até a morte. Mais pesado ser uma pessoa negra, no Dia da Consciência Negra! Os estabelecimentos precisam se responsabilizar pelos terceirizados que contratam. Precisam treinar! É fácil simplesmente rescindir o contrato com a empresa de vigilância!”, escreveu.

O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) utilizou uma montagem do símbolo do Carrefour na qual a parte vermelha do símbolo representa uma mancha de sangue, uma alusão ao espancamento de João Alberto Silveira Freitas. Há vídeos onde é possível ver o chão do supermercado repleto de sangue, após as agressões.

“Em pleno século XXI, ainda não superamos a escravidão. Não existe democracia com racismo.”, disse Freixo.

Em Porto Alegre, protestos estão sendo convocados pelas redes sociais. O vereador Matheus Gomes (PSOL) afirma que o “Carrefour precisa ser responsabilizado”.

“Já tem protestos sendo convocados nas redes sociais, fim de tarde em frente ao Carrefour da Av. Plínio Brasil Milano! O Carrefour precisa ser responsabilizado: não é a primeira vez! Queremos justiça! Chega de violência!”.

Até a publicação desta matéria, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não se pronunciou sobre o caso.