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Autoridades brasileiras temem longa interrupção de importações de carne bovina pela China, segundo jornal britânico

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PEQUIM — Autoridades brasileiras estão muito preocupadas com o banimento da carne brasileira pela China. A suspensão das vendas para o gigante asiático pode reduzir o equivalent a US$ 4 bilhões em exportações anuais, segundo o Financial Times.

O Brasil interrompeu voluntariamente a exportação de carne para a China, seu maior mercado, no começo de setembro, depois da confirmação de dois casos da doença da vaca louca em duas fábricas distintas do setor.

A expectativa, no entanto, era que essa interrupção fosse revertida assim que Pequim avaliasse a situação e confirmasse que não havia transmissão. Mas a situação já se arrasta por quase seis semanas, deixando autoridades brasileiras e grandes frigoríficos preocupados.

Os impasses também colocam em risco o destino de cerca de cem mil toneladas de carne bovina brasileira que foi certificada antes da suspensão do comércio, mas posteriormente embarcada. Pequim se recusa a receber o carregamento.

Uma autoridade do Ministério da Agricultura brasileiro afirmou ao Financial Times que houve transparência com os representantes de saúde chineses e que o governo respondeu prontamente todas as demandas por informação.

— Nós requisitamos uma conferência técnica que não foi realizada. Elesafirmam estar analisando as informações que enviamos. A decisão não depende de nós, então não podemos definir uma data para a retomada das exportações de carne bovina para a China — afirma a fonte ao jornal britânico.

O Brasil é o maior exportador de carne do mundo, e os frigoríficos nacionais, como JBS e Marfrig, crescem rapidamente com o aumento de consumo de proteínas na China.

Entretanto, em 2020, Pequim parou de comprar carne de muitos frigoríficos brasileiros devido a temores de que a Covid-19 poderia ser "importado" para o país tendo em vista episódios de surtos do vírus nos estabelecimentos.

Entre janeiro e julho de 2021, o Brasil exportou 490 mil toneladas de carne bovina para a China, 8,6% a mais que no mesmo período de 2020, chegando a US$ 2,5 bilhões. Isso representa um aumento de 13,8% em relação ao ano passado, segundo a Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carnes.

Na China, importadores disseram que uma longa interrupção nas importações de carne bovina brasileira teria um grande impacto, dada a magnitude das exportações. A expectativa, no entanto, é que as negociações sejam retomadas logo.

— A carne bovina brasileira responde por até um terço do nosso negócio, substituindo-a pelo aumento das importações de outros países da Escandinávia e do Cazaquistão — afirmou.

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