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Autores boicotam Feira do Livro de Frankfurt devido à presença de editora de extrema-direita

·3 min de leitura

A presença de editores de extrema-direita levou cinco autores a cancelarem suas participações na Feira do Livro de Franfurt, segundo o jornal americano The Washington Post. Principal evento do mercado editorial, onde são negociados os próximos best-sellers internacionais, a Feira do Livro de Frankfurt começou na última quarta-feira (20) e termina neste domingo (24) e acontece em formato híbrido.

Na segunda-feira (18), antes mesmo do início da feira, a escritora afro-alemã Jasmina Kuhnke publicou uma nota no Twitter eplicando que cancelava sua participação após descobrir que títulos de extrema-direita também seriam promovidos no evento. Kuhnke soube, pelas redes sociais, que a editora Jungeuropa, dirigida pelo ativista de extrema-direita Philip Stein, teria um estande próximo ao palco onde seria realizada uma mesa-redonda sobre o novo livro da autora, "Schwarzes Herz" (Coração negro). Kuhnke disse que Stein é um dos líderes de um movimento nacionalista e xenófobo que já pediu a sua deportação. Filha de uma croata e de um senegalês, Kuhnke nasceu em Hagen, na Alemanha.

"É previsível que, além da editora e seus autores, outros extremistas de direita visitem a feira, o que para mim, pessoalmente, representa um perigol", afirmou Kuhnke. Ela disse militantes de extrema-direita já a ameaçaram de morte e divulgaram seu endereço na internet.

Pelo menos outros quatro autores cancelaram suas participações na Feira após o posicionamento de Kuhnke: Nikeata Thompson, Annabelle Mandeng, Riccardo Simonetti e Raul Krauthausen. Um restaurante também desfez sua parceria com a feira. O Centro Educacional Anne Frank, em Frankfurt, expressou solidariedade a Kuhnke e chamou o extremismo de direita "ameaça existencial". O direitor da instituição, Meron Mendel, disse que é um "desastre" que pessoas afetadas pelo racismo e pelo antissemitismo não possam comparecer a uma feira de livros por não se sentirem seguras.

A direção da feira, no entanto, decidiu não excluir as editoras de extrema-direita do evento. Em comunicado divulgado na quarta, a Feira do Livro e a Associação Alemã do Comércio do Livro lamentaram os cancelamentos e afirmaram seu "comprometimento com a liberdade de expressão e de imprensa em todo o mundo". "Por isso, para nós é claro que editores que trabalham dentro da lei podem exibir seus livros na feira, ainda que não compartilhemos de suas opiniões." Kuhnke disse que o seu objetivo não é censurar ninguém. "Que a Feira do Livro decida, repetidas vezes, dar visibilidade a extreminstas de extrema-direita é incompreensível para mim. Por essa razão, e também porque, como mulher negra, estou ameçada por esses mesmos extremistas, não tenho outra opção senão boicotar a feira", explicou.

Não é a primeira vez que a presença da extrema-direita causa comoção na Feira de Frankfurt. Em 2017, a Fundação Amadeu Antonio promoveu uma vigília em protesto à presença do militante de extrema-direita Goetz Kubistschek no evento. À época, o diretor da feira, Juergen Boss, disse que "censura não é uma opção". "Uma ideia não desaparece se nos livramos de seus autores."

A Feira de Frankfurt é o principal evento do mercado editorial. Em 2013, o Brasil foi homenageado no evento. À época, o Ministério da Cultura foi duramente criticado, pois, dentre os 70 autores nacionais convidados para representar o país em Frankfurt, apenas um era negro.

No ano passado, a feira foi realizada virtualmente devido à pandemia. Este ano, a feira ocorre em formato híbrido. Grandes conglomerados editorias, como a Penguin Randon House (controladora do Grupo Companhia das Letras) e a HarperCollins (também presente no Brasil) decidiram não comparecer ao evento presencial. Durante este mês, editoras e agências literárias do mundo todo estão cumprindo um cronograma de reuniões virtuais para falar sobre os livros que seriam apresentados na feira.

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