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Autenticidade na entrevista de emprego: use como estratégia

Foto: Getty Images

Por Eliete Oliveira*

Recentemente escrevi sobre pessoas que não se posicionam. Defendi que a falta de posicionamento também é uma maneira de se posicionar e que geralmente é um comportamento de pessoas que querem agradar sem se comprometer. O problema é que este tipo de atitude gera pouca confiança nas pessoas, pois demostra falta de autenticidade.

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Isso é tão verídico que, 99% dos que comentaram, disseram que gostam e se relacionam melhor com pessoas autênticas. No entanto, algumas pessoas também disseram que ser autêntico gera mais conflitos, o que é um mito, pois existem muitas maneiras de se posicionar sem que isso aconteça.

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A primeira coisa que precisamos entender é que ninguém consegue ser 100% autêntico, assim como ninguém consegue ser 100% sincero. Falar tudo o que pensamos pode gerar inúmeros conflitos, pois a liberdade de expressão, como idealizamos, é uma utopia. Estamos todos submetidos as regras de controle social, onde o que falamos pode sofrer sanções morais e éticas — ou seja, estamos condicionados ao “socialmente aceito”.

Por outro lado, existem maneiras de se posicionar que geram percepções mais positivas. Oferecer embasamento sobre o que é dito, através de pesquisa científica, é uma delas. Em contrapartida, falar sobre o que não se tem conhecimento, oferecendo argumentos preconceituosos e generalizados, poderá gerar críticas e intolerância.

Atuando com produção de conteúdo, entendi que o emissor tem uma grande responsabilidade sobre a comunicação, mesmo sendo a interpretação algo muito subjetivo. Minha experiência me diz que, se houve uma recepção negativa em mais de 50% das pessoas que leram seu conteúdo, significa que sua comunicação foi falha. Mas, se 10 a 20% das pessoas receberam negativamente, está dentro de número esperado.

Como ser autêntico no processo seletivo

Dentro do contexto de entrevista funciona da mesma forma. O recrutador, na maioria das vezes, está acostumado a ouvir as mesmas respostas-padrão que são repetidas à exaustão, pois as pessoas querem, na maioria das vezes, causar uma impressão positiva e acabam se colocando em uma zona de conforto.

Porém, é possível ser autêntico sem “se queimar”, apresentando a sua história, que é única e repleta de conquistas, derrotas, experiências adquiridas e com isso ganhar pontos no processo seletivo.

Ter autoconhecimento em relação à carreira e suas competências comportamentais é uma boa maneira de oferecer respostas mais autênticas, evitando aquelas manjadas “sou exigente”, “sou ansioso”, etc.

Obviamente que procurar as respostas que sejam mais favoráveis é uma maneira mais estratégica de se destacar, sem que seja preciso mentir. Evite também falar que sua saída foi por conta de uma “reestruturação” ou “corte”, sem oferecer uma explicação sobre o contexto. Isso pode passar pouca credibilidade.

Por outro lado, muitas vezes, o próprio processo seletivo também pode induzir a respostas pouco autênticas, como, por exemplo, perguntas “porque não devo te contratar? ”. Sem dúvida, ninguém irá querer criar provas contra si mesmo e com isso acabará respondendo coisas como: “contrata-me, pois sou melhor”, o que não oferecerá nenhum dado importante para a avaliação do processo.

O importante é ter consciência de que ser autêntico é diferente de usar o “sincericídio” e é um dos caminhos que poderá ter mais sucesso na busca pela tão sonhada recolocação.

*Eliete Oliveira é consultora de recolocação profissional e Top Voice do LinkedIn. No Yahoo! Finanças, ela fala sobre carreira e os dilemas do mundo corporativo.