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Austrália minimiza irritação da China por por submarinos nucleares

·2 minuto de leitura
Com o acordo, o governo australiano receberá tecnologia nuclear submarina, de ciberdefesa e inteligência artificial aplicada (AFP/Jamica Johnson)

A Austrália minimizou nesta sexta-feira (17) a irritação da China por sua decisão de adquirir submarinos americanos com propulsão nuclear, ao mesmo tempo que se comprometeu a defender a lei no espaço aéreo e marítimo em que Pequim fez diversas reivindicações.

O presidente americano, Joe Biden, anunciou na quarta-feira a aliança de defesa entre Austrália, Estados Unidos e Reino Unido, com a qual o governo australiano receberá tecnologia nuclear submarina, de ciberdefesa e inteligência artificial aplicada.

A China considerou a aliança uma ameaça "extremamente irresponsável" à estabilidade regional e questionou o compromisso da Austrália com a não proliferação nuclear.

Pequim tem um "programa muito substancial de construção de submarinos nucleares", declarou nesta sexta-feira o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, em uma entrevista à rádio 2GB.

"Eles têm o direito de tomar decisões de defesa com base em seus interesses nacionais, e certamente a Austrália e os demais países também têm", completou.

Morrisson afirmou em várias entrevistas que seu governo reagiu a uma mudança na dinâmica da região Ásia-Pacífico, onde há cada vez mais disputas territoriais.

"Nos interessa assegurar que as águas internacionais continuem sendo internacionais, e o céu internacional continue sendo internacional, e que a lei seja aplicada de maneira igual em todos estes lugares", comentou.

Morrison afirmou que a Austrália deseja assegurar que não existam "zonas proibidas" em áreas administradas pelo direito internacional.

"Isto é muito importante para o comércio, para o comercio, para coisas como instalar cabos submarinos, para os aviões e onde podem voar. Esta é a ordem que precisamos preservar, é isso que a paz e a estabilidade nos trazem", declarou.

A China reivindica quase todo o Mar da China Meridional, pelo qual passam trilhões de dólares por ano em comércio, rejeitando as reivindicações de Brunei, Malásia, Filipinas, Taiwan e Vietnã.

Pequim foi acusado de enviar equipamento militar para a região, incluindo mísseis anti-navio e mísseis terra-ar, e de ignorar uma decisão de 2016 de um tribunal internacional que determinou que sua reivindicação histórica sobre essas águas não tem fundamento

A China também adotou sanções econômicas contra produtos australianos em vários setores.

As medidas são vistas na Austrália como uma represália pela rejeição do país a investimentos chineses em setores considerados sensíveis e pelo pedido de uma investigação sobre a origem da pandemia do coronavírus.

Morrison disse que a nova aliança de defesa, anunciada após 18 meses de negociações com Washington e Londres, será permanente.

"Envolve um compromisso muito significativo, não apenas para hoje, mas para sempre. Por isso me refiro a ela como a associação eterna, que vai manter a Austrália segura no futuro", disse.

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