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Aumento do preço do diesel foi apenas o estopim para a greve dos caminhoneiros

Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press
Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press

Por Milena Carvalho

A greve dos caminhoneiros realizada em maio deste ano foi causada por muito mais do que apenas o aumento do preço do combustível. Esse é o diagnóstico de Walter Franco, economista e professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec-SP), que assegura o prolongado descontentamento da classe como a verdadeira razão para o protesto que paralisou estradas de todo o Brasil e impactou diversos setores da economia brasileira.

“O problema se deu por uma crise econômica que vem se estendendo há anos e uma oferta grande de transporte de carga que o país não estava preparado para receber”, analisa o especialista em entrevista ao Yahoo Finanças.

A categoria, que enfrenta uma vida dura e sofrida diariamente à frente do volante, se cansou de arcar com todas as despesas que saem do frete já baixo, como financiamento, seguro, IPVA, pedágios e até mesmo manutenção do veículo. “Eles não têm infraestrutura nem qualidade de trabalho. Não possuem lugares para tomar banho e ainda sofrem violência nas estradas”, diz Walter.

Greve dos caminhoneiros, paralisou a via Anchieta em maio deste ano (Foto: Roberto Parizotti )
Greve dos caminhoneiros, paralisou a via Anchieta em maio deste ano (Foto: Roberto Parizotti )

Relembre

O estopim para a manifestação se deu por conta dos reajustes constantes da Petrobras no preço do diesel. A política de preços livres da estatal – adotada para acompanhar as variações internacionais no custo do petróleo – fez o valor dos combustíveis crescerem constantemente desde 2017.

Aos poucos, a paralisação gerou o desabastecimento de alimentos em todo o país; cidades mais isoladas também sofreram com a falta de remédios e até energia elétrica.

A greve dos caminhoneiros afetou o abastecimento de alimentos, assim como os preços dos produtos (foto: jose lucena/Futura Press)
A greve dos caminhoneiros afetou o abastecimento de alimentos, assim como os preços dos produtos (foto: jose lucena/Futura Press)

Para o consumidor, o que chamou mais atenção no período da greve foi o aumento no preço da gasolina, que se tornou escassa. De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio da gasolina para o consumidor atingiu os R$ 4,44 por litro, mas em alguns lugares o combustível chegou a ser vendido por quase R$ 10.

Faltou combustível em diversas cidades durante a greve. (foto: Lucas Lacaz Ruiz/Futura Press)
Faltou combustível em diversas cidades durante a greve. (foto: Lucas Lacaz Ruiz/Futura Press)

Perdas

Os nove dias de greve dos caminhoneiros teriam gerado uma perda de arrecadação de R$ 26 bilhões em todos os setores econômicos do país, de acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, mas estudos realizados por outras entidades estimam perdas maiores.

Após quase dez dias de paralisação, os motoristas conseguiram fechar um acordo com o governo para diminuir em R$ 0,46 o valor do litro do diesel nos postos por 60 dias. Além disso, Michel Temer garantiu que os reajustes seriam realizados mensalmente, e não diariamente. O governo garantiu ainda a implementação do tabelamento do frete, que garantiria um pagamento mínimo aos caminhoneiros.

Novas reclamações

Segundo os profissionais, a medida não tem surtido efeito. No final de novembro, parte da categoria realizou uma nova paralisação, em protesto ao não cumprimento da tabela. De acordo com os caminhoneiros, as empresas não têm cumprido a lei, e a falta de fiscalização contribui para que isso aconteça.

O que a greve deixa de lição?

Para o professor de Economia, a paralisação feita pelos caminhoneiros, apesar de ter tido alto impacto, não causou grandes problemas para o país. “Foram dois meses com efeitos e consequências, mas é raro ver países com magnitude igual a nossa se saírem tão bem e se recuperarem”, considera Walter.

Segundo ele, o momento serve para retomar o crescimento econômico e diminuir a realidade que a alta taxa de desemprego traz ao Brasil. “É preciso fornecer renda e trabalho com qualidade ao brasileiro, para que eventuais problemas que possam aparecer não precisem ser respondidos com greve”, justifica.

Caminhoneiros podem parar o Brasil novamente?

De maio a dezembro, os caminhoneiros tentaram iniciar novas greves, mas o movimento não conseguiu a adesão anterior. Os riscos, no entanto, ainda existem. Na última paralisação, a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) afirmou que “não pode fazer nada” para impedir novas paralisações.

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