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Aumenta assédio na Internet aos ativistas pró-democracia de Hong Kong

Rachel BLUNDY con Esther CHAN en Sídney
·3 minutos de leitura
A ativista pró-democracia Carol Ng, posa em 17 de setembro de 2020 em Hong Kong
A ativista pró-democracia Carol Ng, posa em 17 de setembro de 2020 em Hong Kong

Carol Ng parou de contar as ameaças e as mensagens chamando-a de "barata" desde que seu número de telefone foi ilegalmente revelado on-line. Mas esta ativista pró-democracia não quer se deixar intimidar.

"Eles sabem que podem assustar muito as pessoas", disse à AFP a presidente da Confederação de Sindicatos de Hong Kong. "Mas não tenho medo, porque são as minhas liberdades, e quero defendê-las".

Uma coisa é certa: ela não está sozinha.

Recentemente, o site HK Leaks intensificou sua campanha de "doxing" - a prática de vazar informações pessoais de algumas pessoas para prejudicá-las - contra ativistas pró-democracia.

O site ainda está ativo, apesar de uma ordem no ano passado do Comissário de Privacidade de Hong Kong para parar o assédio e de uma denúncia à polícia local.

O HK Leaks ataca moradores de Hong Kong que considera terem violado a nova e drástica Lei de Segurança Nacional, imposta por Pequim à ex-colônia britânica.

Algumas semanas depois que o texto entrou em vigor, o HK Leaks revelou dados pessoais de pelo menos 14 pessoas, as quais acusa de infringirem a lei, segundo jornalistas da AFP.

Promovido por grupos ligados ao Partido Comunista da China e hospedado em servidores na Rússia, o site foi lançado em agosto de 2019 e, desde então, assediou milhares de pessoas que apoiaram as enormes mobilizações pró-democracia no ano passado em Hong Kong.

"Quando me atacaram, senti muito estresse", disse Ng à AFP.

"Recebia ligações e mensagens dos 'fitas azuis' no Facebook", explica, referindo-se à cor associada aos apoiadores de Pequim.

"De vez em quando, inundavam-me com uma enxurrada de mensagens no WhatsApp. Eles nos chamam de 'baratas'", relatou.

- Joshua Wong, Agnes Chow e Jimmy Lai -

Hospedado em um servidor russo, o site foi projetado para escapar da lei, segundo especialistas. Usa hosts anônimos e altera regularmente seu domínio.

O site agora exibe uma janela pop-up, informando que "manifestantes causaram a morte do Estado de Direito e da ordem na sociedade de Hong Kong" e que mais de 2.000 policiais e ativistas pró-Pequim também foram vítimas de "doxing".

Vários dos principais ativistas pró-democracia, como Joshua Wong e Agnes Chow, estão listados na seção "encrenqueiros da independência", assim como o magnata da mídia Jimmy Lai. 

Entre os 14 nomes que eles acusam de violar a lei de segurança nacional, estão militantes como Tony Chung, Nathan Law e Ray Wong.

Tony Chung, de 19 anos, tornou-se a primeira personalidade política a ser processada sob a nova lei no final de julho por promover a independência de Hong Kong por meio do Student Localism, um grupo cofundado por ele em 2016 e dissolvido em junho.

Cofundador, com Joshua Wong, do também dissolvido partido Demosisto, Law fugiu para o Reino Unido no início de julho por causa da lei.

De acordo com a mídia oficial chinesa, Wong e Law são procurados por violarem a Lei de Segurança Nacional e por conspirarem com forças estrangeiras.

Joshua Wong, por sua vez, está convencido de que é alvo de uma campanha de assédio orquestrada por Pequim e Hong Kong.

"Desde que recebi o status de refugiado na Alemanha, o governo de Hong Kong está determinado a me deter por todos os meios possíveis", disse ele à AFP.

rhb-je/jac/pz/pc/es/mr/tt