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Atraso na colheita de soja congestiona portos no Brasil

Tatiana Freitas e Fabiana Batista
·2 minuto de leitura

(Bloomberg) -- A colheita de soja do Brasil, em seu ritmo mais lento em 10 anos, provoca um congestionamento de navios nos principais portos e atrasa as exportações para a China, cuja forte demanda elevou os preços no mês passado ao maior nível em seis anos.

Nos terminais do Porto de Santos, 18 navios ancorados aguardam cargas de soja para a China, sendo que metade ancorou nos terminais entre 11 e 26 de janeiro, segundo dados da agência marítima Williams. A situação aumenta a preocupação quanto ao pagamento de multa de sobre-estadia de navios, conhecido como demurrage.

“Há mais navios parados nos portos do que esperávamos”, disse Sérgio Mendes, diretor-geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).

A expectativa da Anec de embarques de 225 mil toneladas em janeiro, feita com base na programação de navios nos portos, foi frustrada com apenas 50 mil toneladas exportadas. “Tínhamos navios para carregar, mas não tínhamos a carga”, afirmou Mendes em entrevista por telefone. Os volumes embarcados em janeiro foram os menores para o mês desde 2014, segundo dados do governo.

No Brasil, maior produtor e exportador de soja do mundo, o clima seco atrasou o plantio no segundo semestre de 2020, enquanto o excesso de chuva em seguida prolongou o ciclo de desenvolvimento da cultura e a colheita. Em janeiro, os futuros da soja em Chicago registraram o oitavo ganho mensal consecutivo, o rali mais longo desde 1995.

A colheita de 2020-21 correspondia a 1,9% da área cultivada em 28 de janeiro, o ritmo mais lento desde 2010-11, segundo relatório da consultoria AgRural divulgado na segunda-feira. A colheita no mês passado ficou abaixo da estimativa da empresa de 3 milhões de toneladas.

As tradings ainda não enfrentaram problemas com clientes no exterior, pois estão cientes dos atrasos na colheita, disse Mendes, da Anec.

Os problemas de oferta foram agravados pelos baixos estoques, depois que condições de venda “formidáveis” favoreceram as exportações no ano passado, disse Mendes. “Neste ano, não temos estoques de passagem para preencher essa lacuna” temporária entre colheita e embarques.

Na semana passada, a consultoria Safras & Mercado elevou a previsão para a produção de soja no Brasil para 133,1 milhões de toneladas, um recorde, destacando que as condições gerais são favoráveis para as lavouras, mesmo com perdas isoladas causadas pelo mau tempo.

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