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Atraso devido à seca faz safra de cana começar com queda na produção de açúcar e etanol

MARCELO TOLEDO
·3 minuto de leitura

RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - A seca que atingiu as lavouras de cana-de-açúcar no decorrer do ano passado e atrasou o início da moagem neste ano em parte das usinas fez com que a safra 2021/22 iniciasse com queda na moagem de cana e na produção de açúcar e etanol.

Até agora, 147 usinas iniciaram a safra, ante 180 que estavam em produção no mesmo período da safra passada, de acordo com a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).

Com a seca que atingiu não só as lavouras de cana em 2020, a planta não se desenvolveu adequadamente e usinas retardaram a colheita na expectativa de que ela crescesse um pouco mais e reduzisse o prejuízo em sua formação.

Mas, conforme o primeiro levantamento da Unica sobre a safra 2021/22, o ATR (Açúcar Total Recuperável), que é a soma dos açúcares da planta, usados para a produção de etanol e açúcar, teve piora em sua qualidade no início da colheita.

O nível de ATR nos primeiros 15 dias de abril foi de 108,7 quilos por tonelada de cana, ante os 112,8 quilos da safra 2020/21, encerrada no último dia 31. A redução foi de 3,6%.

A pior qualidade da matéria-prima, aliada à redução no total de usinas que iniciaram a moagem, fez com que fossem processadas 15,63 milhões de toneladas de cana na primeira quinzena de abril, ante as 22,5 milhões do mesmo período na safra passada, ou 30,6% menos. Isso fez com que a produção de açúcar alcançasse apenas 624,1 mil toneladas, o que representa uma retração de 35,8%, e a de etanol, 730,5 milhões de litros (-25,9%).

Diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues disse que o clima mais seco de 2021 tem favorecido a colheita -já que, quando chove, máquinas não conseguem entrar nos canaviais-, mas o menor número de usinas em operação fez com que a moagem fosse menor.

"O longo período de chuvas abaixo da média histórica tem prejudicado o desenvolvimento na lavoura e criou estímulos para que as usinas adiassem o início da safra. Muitas empresas planejavam começar em março, mas observamos um atraso médio em torno de 10 dias nessa programação", disse.

A previsão da entidade é que outras 60 usinas estejam em operação até o final do mês.

Apesar da redução na produção, as usinas venderam 19,5% mais etanol na primeira quinzena de abril em relação ao mesmo período do ano passado, quando o país teve fortes restrições na mobilidade devido à pandemia.

A safra 2020/21 encerrou com recuo de 8,7% na produção de etanol, devido às restrições de circulação provocadas pela pandemia da Covid-19, e aumento de 43,73% na fabricação de açúcar.

A safra teve moagem total de 605,4 milhões de toneladas, terceiro maior volume dos últimos dez anos, 2,56% superior às 590,36 milhões de toneladas da safra 2019/20.

No total, 46,07% da cana moída teve como destino a fabricação de açúcar, impulsionada pelos bons preços no mercado externo e pela redução da demanda de etanol no mercado interno.

Embora a maior parte da cana, 53,9%, tenha sido usada para produzir etanol, a diferença caiu em relação à safra 2019/20, quando 34,32% da cana teve como objetivo fazer açúcar, o menor percentual dos últimos 23 anos.