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Quem bancou e quem lucrou com os atos antidemocráticos?

Foto: Evaristo Sá / AFP (Getty Images)

De natural e espontâneo, ao que tudo indica, não havia nem os cabelos acaju nos protestos em defesa do fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal que inundaram Brasília quando Jair Bolsonaro descobriu que foi eleito presidente, não imperador.

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Alguns estavam acampados havia dias na Praça dos Três Poderes. Quem eram, como viviam, do que se alimentavam?

Segundo a Folha de S.Paulo, a Procuradoria Geral da República está perto de responder essas e outras questões a partir de duas linhas de investigação no inquérito sobre os chamados protestos antidemocráticos.

Uma delas apura quem financiou os ataques às instituições nas redes sociais. A suspeita é que parlamentares bolsonaristas usaram verba pública para patrocinar a produção do conteúdo ofensivo.

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Quatro deputados usaram a cota parlamentar para transferir quase R$ 60 mil para uma empresa de de tecnologia e informação que tem como sócio o marqueteiro do futuro partido de Bolsonaro, o Aliança pelo Brasil. O repasse aconteceu sob o selo de “divulgação de atividade parlamentar” -- dinheiro público bancando projeto político particular.

São eles os deputados do PSL Guiga Peixoto (SP) General Girão (RN), Aline Sleutjes (PR) e Bia Kicis (DF). Eles negam relação com os atos.

A outra linha investiga a divulgação dos atos pelos canais bolsonaristas -- movidos não por ideais, como juram, mas por dinheiro. Algo em torno de R$ 100 mil.

O vice-procurador da República, Humberto Jacques, desconfia que exista uma rede orquestrada entre parlamentares, empresários e donos de sites bolsonaristas.

O lucro seria obtido com a transmissão dos atos com a participação do presidente, sobre quem as plataformas fazem uma cobertura doce e simpática -- e chegavam a gerar 1,5 milhão de visualizações.

Não deve ser à toa o surto de parte desses influenciadores com projetos como o Sleeping Giants, de alertar empresas com algum nome a zelar sobre o direcionamento de anúncios e a associação de suas marcas a sites que podem induzir ao crime e à desinformação.

Relator do inquérito no STF, o ministro Alexandre Moraes diz que a rede estruturada de comunicação virtual era voltada “tanto à sectarização da política quanto à desestabilização do regime democrático para auferir ganhos econômicos diretos e políticos indiretos”.

Na mira do ministro estão até redes hoteleiras que firmaram supostas parcerias com os líderes de movimentos com direito a desconto nas hospedagens em dinheiro vivo.

Após o cerco das autoridades, cerca de 3 mil vídeos podem ter sido deletados pelos donos dos canais, segundo um levantamento da empresa Novelo Data.

Coincidência ou não, o pelotão de frente do chapa-branquismo nacional encaminhou ao presidente um manifesto pedindo que ele autorize agentes públicos, como os da PF, a descumprir medidas determinadas pelo Supremo no inquérito das fake news.

“Pedimos que tal inquérito seja declarado ilegítimo e ilegal, por afrontar os princípios básicos da democracia”.

Sim, quem fala agora sobre “princípios básicos da democracia” são os mesmos que outro dia incensavam os defensores de um novo AI-5 para que, parafraseando o presidente, tudo seja colocado em seu devido lugar.

No último fim de semana, a Polícia Civil do Distrito Federal apreendeu em uma chácara de Arniqueira, a 20 quilômetros da Praça dos Três Poderes, fogos de artifício, anotações com planejamento de ações discursos, cartazes, celulares e um cofre usados por três grupos de extremistas mobilizados em defesa de Bolsonaro.

A chefe de um dos grupos é Sara Giromini, que usa codinome de espiã nazista enquanto promete infernizar a vida e sair no soco com Alexandre de Moraes. Ela está presa desde 15 de junho.

Tudo cidadão de bem.