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Atleta amputado ganha torneios no Brasil e nos EUA e abre box de crossfit inclusivo

·2 min de leitura

RIO — Filho de um técnico de handebol, o morador de Copacabana Ricardo Allgayer já nasceu em meio ao esporte, e para se tornar profissional foi um pulo. Conquistou títulos importantes na modalidade, como o de campeão brasileiro, até que, em 2004, aos 22 anos, no auge da carreira, um acidente de moto mudou sua vida. Allgayer ficou dois meses internado, com fraturas, e precisou amputar a perna direita. Apesar das barreiras que surgiram, não abriu mão da rotina de atleta e fez da nova realidade uma bandeira, a do esporte adaptado.

O gaúcho de 39 anos chegou a praticar handebol e basquete, ambos em cadeira de rodas, atletismo e musculação, mas foi no crossfit, há cinco anos, que ele se encontrou. Desde então, coleciona títulos no Brasil e fora do país. Ficou em segundo lugar em sua categoria no Mundial de Crossfit Adaptado Whellwod Games, realizado este mês na Carolina do Norte (EUA), e participa, neste fim de semana, do Rio Carioca Games, no Parque Olímpico, na Barra.

Ele é o atual campeão de eventos, como os nacionais Monstar Games e Bope Games. As competições são duas das poucas por aqui que têm categoria para adaptados. Allgayer luta para aumentar esse número. E mais: para que, assim como nos Estados Unidos, haja subcategorias voltadas para diferentes necessidades. Com esses objetivos, tornou-se também influenciador digital e abriu, dois dias antes do isolamento social, um box de crossfit inclusivo na Rua Duvivier, o Fábrica Unbroken.

— Hoje sou uma pessoa que valoriza mais as coisas simples da vida. Quase morri aos 22 anos, então de fato tive a minha segunda chance e tento fazer valer. Quero por meio do esporte mostrar que as pessoas podem fazer o que quiserem, que dá para chegar o mais longe possível. Decidi participar de disputas nos EUA por não haver competições de adaptados por aqui, e queria trazer isso para Brasil. Competi e sigo disputando em campeonatos sem a categoria adaptada para provar a todos que podemos — diz.

Atualmente, Allgayer faz uma campanha no seu perfil no Instagram com o intuito de levantar dinheiro para comprar uma prótese de corrida que lhe dê melhores condições em competições.

— A prótese custa R$ 65 mil. Já consegui parte desse valor e qualquer ajuda é bem-vinda — diz o atleta, explicando que migrou para o crossfit por acreditar que a modalidade era mais completa e o ajudaria a encarar o desafio de ser pai. — Quando eu e minha mulher engravidamos do Martin, hoje com 5 anos, busquei um esporte que me proporcionasse mais disposição para aguentar o tranco de lidar com a energia de uma criança.

Além de ambiente acessível com rampas, o Fábrica Unbroken tem profissionais habilitados a atender cadeirantes e outros tipos de pessoas com necessidades especiais. Entre os alunos há amputados, pessoas com paralisia cerebral e com comprometimentos após AVC.

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