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Ativistas de extrema direita marcham em Washington e passantes tentam impedir discurso

·3 min de leitura

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Moradores e visitantes de Washington que passeavam pela cidade neste sábado (4) foram surpreendidos por um ato de homens brancos, com o rosto coberto com balaclavas, que marchavam em formação militar ao som de um tambor.

O grupo portava símbolos ligados ao movimento Patriot Front, que defende valores racistas, como a supremacia branca, e que surgiu após o protesto "Unite the Right", em Charlotesville em 2017, segundo o Southern Poverly Law Center, que estuda grupos de ódio nos EUA.

Eles saíram da ponte Arlington Memorial por volta de 16h30 (18h30 em Brasíia), passaram pelo memorial Lincoln e cruzaram todo o National Mall, esplanada onde ficam diversos símbolos nacionais do país e que leva até o Congresso.

A formação tinha cerca de 200 integrantes, vestidos de forma similar: jaqueta azul-escura e calças beges. Parte deles levavam escudos de metal e proteções nas pernas. Eles carregavam bandeiras dos EUA, na versão original e com adaptações, como um desenho com as estrelas na parte de baixo. Também exibiam duas faixas, com as frases "Victory or Death" (vitória ou morte) e "Reclaim America" (retome a posse da América).

A cena trouxe a lembrança da invasão do Congresso, em 6 de janeiro, quando grupos de direita e defensores do então presidente Donald Trump fizeram rota similar, ao cruzar o Mall até o Capitólio. Eles invadiram o prédio e tentaram mudar o resultado da eleição à força, mas não conseguiram reverter a derrota do republicano. Naquele dia, houve cinco mortes.

Desta vez, os ativistas marcharam cercados pela polícia, que os escoltou ao longo do trajeto. Agentes a bordo de bicicletas e viaturas ficaram o tempo todo ao redor da marcha. Os ativistas pararam a duas quadras do Congresso, e o líder do grupo, que usava um chapéu de caubói, tentou fazer um discurso com um megafone. Parte dos passantes que acompanhavam a cena começaram a vaiar e a gritar palavras de ordem, como "fascistas", "nazistas" e "calem a boca", que abafaram o som do discurso.

Em seguida, os manifestantes acenderam sinalizadores que soltaram fumaça nas cores vermelha e azul, o que fez os espectadores se dispersarem. Em meio a isso, a polícia pediu que os passantes se afastassem e isolou a área ao redor dos ativistas. De longe, quase não era possível ouvir o discurso, que durou poucos minutos e falava em recuperar a América. O grupo de mascarados posou para fotos com o Congresso ao fundo e depois voltou marchando pelo Mall. Não havia registro de incidentes até o começo da noite.

A segurança nos arredores do Congresso foi reforçada após a invasão de 6 de janeiro. O governo federal também criou mais ações para combater o chamado terrorismo doméstico. Entre setembro de 2001 e setembro de 2011, morreram 114 pessoas nos EUA devido a ações terroristas ligadas à extrema direita e 107 em atos de radicais islâmicos, segundo o centro de estudos New America. O governo dos EUA define terrorismo como atos de violência gerados por razões ideológicas que buscam intimidar ou coagir a população civil ou mudar decisões de governo.

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