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Ativista Joshua Wong é condenado a mais 10 meses de prisão em Hong Kong

·3 minuto de leitura

PEQUIM - O conhecido ativista de Hong Kong Joshua Wong, de 24 anos, foi condenado a mais dez meses de prisão, que foram somados aos 13 meses e meio que já cumpria. O motivo, desta vez, é sua participação, no ano passado, na vigília pelo Massacre da Praça da Paz Celestial realizada todos os anos, desde 1989, no principal parque da cidade e que em 2020 foi proibida pela primeira vez na história, com a alegação de contenção da pandemia do coronavírus.

Com o antigo líder estudantil também foram condenados os ativistas e vereadores Lester Shum, de 27 anos, que vai cumprir seis meses de prisão, além de Tiffani Yuen, também de 27 anos, e Janelle Leung, de 26, sentenciadas a quatro meses de cadeia. Os quatro se declararam culpados de terem participado intencionalmente de uma assembleia ilegal, delito que pode acarretar uma pena máxima de cinco anos de prisão.

A vigília de 4 de junho no parque Victoria de Hong Kong é a única realizada em território chinês para celebrar a noite de 1989 em que os tanques e soldados do Exército Popular de Libertação dissolveram, à força, os protestos de estudantes que exigiam medidas contra a corrupção e reformas democráticas na Praça da Paz Celestial e seus arredores, em Pequim. O número de mortos nunca foi confirmado publicamente.

Até 2020, a vigília foi celebrada de maneira ininterrupta todos os anos, mas no ano passado as autoridades de Hong Kong alegaram o risco de propagação da Covid-19 para proibi-la. A medida foi tomada em meio a um clima de controle cada vez maior do governo central sobre a antiga colônia britânica, depois das manifestações maciças de 2019 contra Pequim no território.

Apesar da proibição, dezenas de milhares de pessoas participaram do ato no parque. Aquela vigília acabaria sendo o último desafio dos cidadãos às autoridades locais e ao governo da China: em 30 de junho de 2020, Pequim iria impor uma severa lei de Segurança Nacional a Hong Kong, que na prática estabeleceu limites rígidos às liberdades de que o território semiautônomo desfrutava desde sua devolução a Pequim, em 1997.

Neste ano, os organizadores pediram permissão para celebrar novamente a vigília, mas até o momento não receberam respostas.

Na audiência realizada nesta quinta-feira, o juiz Stanley Chan considerou que os atos dos quatro condenados haviam sido “premeditados”. Apesar de a vigília ter ocorrido de maneira pacífica, o magistrado disse que existia o risco de que ela poderia provocar facilmente a violência devido ao clima de tensão política que a cidade vivia após as manifestações de 2019.

— Esta sentença deve desencorajar a prática de crimes e a reincidência — opinou Chan.

Os quatro ativistas, que se declararam culpados, foram condenados em outra audiência, realizada em abril, antes de receberem a sentença nesta quinta-feira. Wong, uma das figuras de oposição de Hong Kong mais célebres no exterior desde seu papel nos protestos estudantis de 2014 — quando tinha apenas 17 anos — , cumpre outros 13 meses e meio de prisão por participar de uma outra manifestação não autorizada em 2019. Ele terá que cumprir a nova pena quando a atual acabar.

Outros 20 acusados de participação ilegal na vigília, entre eles o magnata dos meios de comunicação de Hong Kong Jimmy Lal, devem comparecer ao tribunal no dia 11 de junho. Wong, Shum e Yuen têm pendente outro julgamento por acusações tipificadas na Lei de Segurança Nacional. Se forem declarados culpados, podem pegar até prisão perpétua.