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Atividades humanas afetaram a atmosfera da Terra bem antes do que se acreditava

·3 minuto de leitura

Os atuais níveis de carbono atmosférico são baseados na taxa registrada a partir do período industrial, quando uma considerável quantidade de poluição passou a ser despejada no ar. No entanto, um novo estudo conduzido na Antártida revelou que a atividade humana provocou um aumento substancial de carbono negro bem antes disso. A pesquisa também associa as antigas práticas de queimada nas terras do povo Maori, na Nova Zelândia, que afetaram em grande parte o hemisfério sul, cerca de 700 anos atrás.

A pesquisa, conduzida pela Desert Research Institute (DRI), coletou cerca de seis amostras de núcleos de gelo localizados na parte mais ao sul do planeta — a Antártida. Uma análise aprofundada delas mostrou um aumento significativo do carbono negro a partir do século XIV, bem antes do início do período industrial, que começaria por volta do século XVIII. Este tipo de carbono está associado a queimas de madeira ou biomassa.

(Imagem: Reprodução/Jack Triest/DRI)
(Imagem: Reprodução/Jack Triest/DRI)

Segundo os pesquisadores, esta poluição provavelmente veio dos incêndios alimentados por biomassa natural. Nos 700 anos seguintes, as amostras de gelo indicaram um aumento contínuo nos níveis de emissão, triplicando o valor. Além disso. As modelagens do fluxo potencial das partículas de carbono negro levaram os cientistas à Tasmânia, Patagônia ou Nova Zelândia.

Embora Tasmânia e Patagônia tenham sido colonizadas primeiro, somente a partir do final do século XIII, quando o povo Maori chegou à Nova Zelândia, os registros de carbono negro começam a aparecer no gelo da Antártida. Os registros de fuligem dos países insulares confirmaram esta linha temporal, sugerindo que as queimadas na Nova Zelândia foram a causa da distribuição em grande escala destas partículas.

O cientista atmosférico da DRI, Joseph McConnell, principal autor do estudo, disse que a ideia de que humanos tenham causado uma grande mudança neste período da história por meio de atividades de “limpeza” de terras é surpreendente. Isso porque, até então, pensava-se que, antes da Revolução Industrial, os impactos por ação humana fossem irrelevantes.

Registro de carbono negro no últimos 2.000 anos (Imagem: Reprodução/DRI)
Registro de carbono negro no últimos 2.000 anos (Imagem: Reprodução/DRI)

A descoberta também revelou que a nossa capacidade de alterar os ambientes não é uma novidade da modernidade. Tudo indica que a Nova Zelândia tenha sido a última porção de terra a ser habitada por humanos. Quando o povo Maori se estabeleceu por lá, a cobertura vegetal correspondia a 85% do território; hoje, esse índice é de apenas 25%. Os pesquisadores acreditam que, enquanto o povo desmatava as florestas nativas, a falta de experiência com o fogo alimentou a destruição.

Os núcleos de gelo mostraram como parte do carbono negro das queimadas na Nova Zelândia alcançaram a Antártida. Eles também indicaram que a emissão teria atingido seu pico por volta do século XVI, atingindo cerca de 36 mil toneladas por ano. Em 2019, as emissões globais de CO2 atingiram 33 gigatoneladas.

O estudo também ganhou força com uma pesquisa recente, que descobriu que o desmatamento intenso na Nova Zelândia, por parte do povo Maori, afetou inclusive uma série de espécies de insetos. Alguns deles perderam a capacidade de voar, uma vez que a vegetação foi reduzida — a adaptação ao meio é questão de sobrevivência.

A pesquisa foi publicada no último dia 6 de outubro, na revista Nature.

Fonte: Canaltech

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