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Atividade econômica cai 1% em agosto, diz Monitor do PIB da FGV

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 21.02.2019: Still de mão segurando cédulas de real, moeda oficial brasileira. (Foto; Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 21.02.2019: Still de mão segurando cédulas de real, moeda oficial brasileira. (Foto; Gabriel Cabral/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Em um sinal de perda de fôlego, a atividade econômica caiu 1% no país em agosto, frente a julho, indica o Monitor do PIB, calculado pelo FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

A pesquisa também traz recorte trimestral. Conforme o monitor, a atividade cresceu 0,7% no trimestre móvel encerrado em agosto, frente ao imediatamente anterior, finalizado em maio.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (19). Na comparação com o mês de agosto de 2020, a atividade teve alta de 4,4%. Frente a igual trimestre do ano passado, o crescimento foi de 6,7%.

O Monitor do PIB busca antecipar o ritmo da atividade econômica no Brasil. O resultado oficial do PIB é calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O dado mais recente divulgado pelo IBGE é referente ao segundo trimestre deste ano. À época, o PIB encolheu 0,1%.

“O resultado de agosto, de queda de 1% em relação a julho, traz um pouco de água fria. Mesmo assim, o trimestre ainda teve alta de 0,7%, porque a baixa no mês é de certa forma diluída ao longo do período”, aponta o pesquisador Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB.

Pela ótica da oferta, dois dos três setores pesquisados avançaram em agosto, na comparação com julho. Após ficar estável no mês anterior (0%), a agropecuária teve alta de 2,2%.

A indústria, por sua vez, teve variação positiva de 0,2% em agosto, após queda de 1% em julho.

Já o setor de serviços, o principal do PIB sob a ótica da oferta, recuou 0,2% no oitavo mês do ano. O resultado veio após quatro avanços consecutivos do setor, que vem sendo estimulado pela vacinação contra a Covid-19 e por menores restrições.

Pela ótica da demanda, houve queda em quatro dos cinco indicadores pesquisados. O consumo das famílias, o principal deles, caiu 1,8% frente a julho.

O consumo do governo teve baixa de 4,9%, e os investimentos na economia, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo, recuaram 1,4%.

A importação caiu 16,1%, enquanto a exportação subiu 12,4%.

Segundo Considera, a pandemia impactou padrões de sazonalidade. Por isso, ele recomenda cautela na análise de dados referentes a períodos mais curtos.

O pesquisador ainda chama atenção para outro tipo de recorte do Monitor do PIB, o do acumulado de 12 meses.

Nesse tipo de comparação, a atividade econômica registra avanço de 3,6% até agosto deste ano, após retração de 3,1% verificada em igual intervalo anterior (até agosto de 2020).

Na visão do pesquisador, o resultado sugere uma retomada ao longo de 2021, mas ainda cercada por dificuldades. “O cenário continua muito complicado”, diz.

Na visão de analistas, o avanço da vacinação contra a Covid-19 representa um estímulo para a economia no segundo semestre.

Setores que dependem da circulação de clientes, como serviços de bares, restaurantes e hotéis, apostam na imunização para retomar negócios.

Por outro lado, o desempenho do PIB é ameaçado por uma série de riscos. Escalada dos preços, desemprego elevado, crise hídrica e turbulência política fazem parte da lista de preocupações.

Em meio a esse contexto, o mercado financeiro passou a elevar as estimativas para a inflação e reduzir as projeções de alta do PIB.

As previsões mais recentes sinalizam IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 8,69% ao final de 2021, indica o boletim Focus divulgado na segunda-feira (18) pelo BC (Banco Central). O crescimento estimado para o PIB caiu para 5,01%.

“Mesmo depois de ter frustrado as expectativas no segundo trimestre do ano, ao apresentar queda de 0,1%, o PIB do Brasil continua enfrentando tempos mais difíceis do que projetávamos inicialmente”, afirmou o Banco Original, em relatório, nesta terça-feira.

“Embora a perspectiva ainda seja de um segundo semestre positivo para a atividade econômica, que se beneficia da melhora gradual da pandemia e do avanço da vacinação, problemas como inflação elevada e persistência de falta de insumos continuam pesando sobre a recuperação”, completou o banco.

A retração de 1% do Monitor do PIB foi pior do que a estimada pelo IBC-Br, calculado pelo BC. Por esse indicador, a atividade econômica recuou 0,15% em agosto. Tanto o monitor quanto o IBC-Br buscam antecipar o desempenho da atividade.

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