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Atividade econômica do Brasil desacelera em agosto, com alta de 1,06%, diz BC

Por Isabel Versiani
·2 minutos de leitura
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Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado um sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), teve alta de 1,06% em agosto na comparação com o mês anterior, de acordo com dado dessazonalizado divulgado pela autarquia nesta quinta-feira.

Foi a quarta alta consecutiva do IBC-Br na comparação mensal, mas o dado veio abaixo do esperado por analistas, que apostavam aumento de 1,60%, segundo pesquisa da Reuters.

Sobre agosto de 2019, o IBC-Br apresentou contração de 3,92% e, em 12 meses, acumulou recuo de 3,09%.

Dados setoriais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) já haviam apontado a continuidade do processo de recuperação em agosto, em meio à flexibilização das medidas de restrição ao contato social impostas pela pandemia de Covid-19.

A produção industrial registrou aumento de 3,2% no mês sobre julho, em linha com expectativas, mas ainda ficou 2,6% abaixo do nível de fevereiro. Já as vendas no varejo restrito avançaram 3,4% na mesma comparação, que tem ajuste sazonal, e atingiram o maior volume da série histórica do IBGE.

O volume de serviços, setor mais diretamente afetado pelos bloqueios à movimentação, cresceu 2,9% no mês na comparação mensal, desempenho recorde para agosto e acima do esperado, mas ainda ficou 9,8% abaixo do nível de fevereiro.

Em julho, a atividade teve alta de 3,71% sobre o mês anterior, segundo dado revisado pelo BC, que inicialmente havia reportado crescimento de 2,15% para o mês.

O economista Alberto Ramos, do Goldman Sachs, disse esperar uma continuidade da recuperação nos meses à frente, a um ritmo menor, em meio a flexibilização dos bloqueios, estímulos fiscais adicionais e monetários defasados e alta dos preços das commodities.

"Um quadro doméstico para o vírus da Covid ainda muito complexo, um mercado de trabalho muito fraco e a eliminação gradual de algumas das atuais medidas de apoio fiscal devem suavizar o ritmo da recuperação", afirmou Ramos em nota.

O governo estima que o PIB contraia 4,7% neste ano, no que seria o pior resultado da série histórica.

Já o mercado prevê recuo de 5,03% em 2020 e avanço de 3,50% em 2021, segundo a mais recente pesquisa semanal Focus do BC.

"As perspectivas para setembro são positivas, mas reforçamos os riscos do cenário em torno da redução do auxílio emergencial (curto prazo) e da questão fiscal (longo prazo)", disseram analistas do banco digital modalmais em relatório.