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Atitudes de Pogba e Cristiano Ronaldo acendem debate sobre marketing no esporte

·4 minuto de leitura

Entrevistas coletivas pós- jogo são vistas como pontes entre clubes, seleções e jogadores e um público sedento por informação da partida. Há tempos, porém, o aspecto comercial tem tanta relevância quanto o que atletas têm a dizer depois de uma vitória ou derrota. Os episódios envolvendo Cristiano Ronaldo e Pogba são uma amostra disso. Não foram as declarações dos dois jogadores a respeito de suas atuações nos triunfos de Portugal e França que correram o mundo, mas as atitudes em relação aos produtos de dois grandes patrocinadores da Eurocopa. O português conclamou todos a beberem água e tirou as garrafas da Coca-Cola da frente; o francês, sem falar nada, retirou a cerveja Heineken (zero álcool) da mesa.

Por motivos diferentes, o atacante português e o meia francês — que é muçulmano, religião que proíbe o consumo de álcool —, trouxeram à tona questões como o uso da imagem dos atletas nos grandes eventos e os conflitos de interesses entre patrocínios e posições de cunho pessoal ou religioso em uma época em que cada vez mais os atletas não têm se limitado a questões técnicas e táticas e têm se posicionado perante a sociedade.

Tido como um atleta exemplar, Cristiano Ronaldo é conhecido pelo rigor na dieta, que não permite o consumo de sucos de frutas no café da manhã ou vinho no jantar. O atacante já havia revelado preocupação com refrigerantes em outra ocasião em relação ao filho, que treina par ser jogador, mas “bebe muita Coca-Cola”, segundo o craque.

Especialistas da área jurídica e de marketing esportivo apontam que cada contrato de trabalho e patrocínio já deve possuir cláusulas específicas sobre a conduta dos jogadores:

— Os próprios atletas já sinalizam antecipadamente suas objeções, mas vale sempre a atenção de conhecer a fundo os limites de cada exposição com a experiência de saber a força negativa ou positiva que uma ação de marketing pode proporcionar — pondera Renê Salviano, especialista em negócios do esporte.

Justamente para fazer uso da imagem de todos os envolvidos no evento — principalmente os grandes astros —, os organizadores preveem nos regulamentos a obrigatoriedade da presença de técnicos e jogadores antes e após as partidas. Mas cada ponto, segundo os especialistas, têm de estar claro no contrato.

No caso da Eurocopa, o treinador e o melhor jogador da partida são os convocados para as coletivas. O regulamento da competição, inclusive, diz que “cada federação participante deve apoiar e garantir que seus jogadores, treinadores e funcionários apoiem o programa comercial estabelecido pela Uefa para explorar os direitos de marketing no torneio”.

Especialistas da área jurídica e de marketing apontam que, ao mesmo tempo em que passaram suas mensagens de posicionamento pessoal, os jogadores podem ter desrespeitado alguma questão contratual.

— Para participar desse tipo de evento, é uma obrigação das federações aceitar os compromissos com os patrocínios que a Uefa tem. As federações também têm obrigação de garantir o respeito por parte dos jogadores — explica o advogado Stefano Malvestio, da Bichara e Motta Advogados.

— Já faz muito tempo que as coletivas se tornaram momentos propícios para a ativação das marcas. É um momento em que as lentes estão concentradas em quem está falando. Com o passar do tempo, outras formas aparecem, como exposição de marcas no microfone. E, mais recentemente a exposição do produto nas mesas — diz Fernando Fleury, Phd em marketing esportivo.

Apesar de poder haver algum tipo de sanção prevista em contrato — as federações seriam punidas —, os especialistas não acreditam em qualquer punição aos envolvidos. Em nota, a Coca-Cola —que viu suas ações na Bolsa de Nova York sofrerem desvalorização de US$ 3,1 bilhões — afirmou que “todos têm direito a preferências em bebidas” e que as pessoas têm “gostos e necessidades” diferentes. A Heineken não se pronunciou.

Já um porta-voz da Uefa minimizou o ocorrido: “Aos jogadores é oferecido água, além de Coca-Cola e Coca-Cola Zero Açúcar, na chegada em nossas entrevistas coletivas. Todos têm direito às suas preferências de bebida”.

— Teria que ser feita uma análise bem específica de quais são exatamente os compromissos que a federação tem em relação aos patrocinadores da Uefa. No caso do Cristiano Ronaldo, ele estava disponível e com o backdrop atrás. Não houve um comentário totalmente negativo, ele disse “água”. No caso do Pogba, é mais complicado por ser aparentemente uma questão religiosa. Do outro lado, pode-se imaginar que a Coca-Cola exija no contrato que a garrafa fique naquela posição — afirma o advogado.

Apesar de as marcas terem evitado pôr lenha na fogueira, é possível que haja mudanças para evitar situações parecidas.

— Com certeza após os últimos acontecidos teremos mudanças nas negociações de patrocínios e novas cláusulas serão abordadas com muita atenção e cautela — afirma Renê Salviano, especialista em novos negócios do esporte.

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