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Conheça o atendente de fast-food que virou dono de uma rede de restaurantes

Hamburger Gourmet

Por Melissa Santos

Marcos Nunes nasceu com a vontade de empreender. Desde que trabalhava em outras companhias, sempre se dedicou como se a empresa fosse sua. "Eu vestia a camisa literalmente e sempre queria fazer o meu melhor e mais do que eu era contratado. Muita gente achava bobagem, mas eu queria ver progresso onde eu estava", relembra.

Ele sempre gostou de cozinhar e viajar e foi em sua primeira viagem para os Estados Unidos que pensou em seguir como profissão algo que era um hobby: a gastronomia. "Desde os meus cinco anos de idade, eu já ficava pela cozinha aprendendo com a minha mãe o porquê colocávamos determinados ingredientes", conta.

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Aos 22 anos, Nunes foi morar nos EUA para estudar inglês e resolveu colocar a mão na massa. "Fui trabalhar no restaurante da universidade e foi quando tive certeza que queria ter meu restaurante. A cozinha é estressante e eu adorei essa rotina bem corrida de o prato precisar estar na mesa em 15 minutos", fala.

Mas Nunes precisou voltar ao Brasil e retomou a faculdade de Administração. No entanto, colocou como meta que faria um estágio de imersão em gastronomia fora do país. "Eu ganhava bem na época no Brasil e largar o emprego para um estágio na cozinha parecia loucura, mas era o que eu queria seguir", relembra.

Ele resolveu embarcar para a Inglaterra e lá deu sorte de ser estagiário de um chef francês. "Ele me ensinou a ser garçom e a montar uma mesa no padrão 5 estrelas e depois a fazer entradas e pratos. Ele gostou tanto do meu trabalho que me deu seu cartão e, por sua indicação, fui contratado no segundo melhor buffet da Inglaterra", conta.

Foi nessa época que Nunes teve a oportunidade de participar de festas da Seleção Inglesa de Rugby, além de eventos com a presença de Stephen Hawking. O último emprego de Nunes na cidade foi em um McDonald’s.

"Pedi emprego e comecei a trabalhar no mesmo dia. Foi a melhor maneira de começar a trabalhar forte. Em sete meses já fui promovido a líder de cozinha e ajudava a controlar estoque, compras e o horário de pico", conta.

Marcos Nunes, fundador da rede de fast food Let`s Eat

Para Nunes, o fast-food foi sua grande escola. Afinal, foi na correria do dia a dia que ele aprendeu muito do que aplicou futuramente em sua rede de restaurante. "Sempre tirava o máximo que eu podia do gerente. Aprendi muito sobre fluxograma de trabalho lá. Sem isso, não adianta um bom trabalho", afirma.

Nunes precisou retomar para o Brasil um ano depois por conta de problemas de saúde da mãe. E foi convidado para retomar ao seu trabalho anterior. "Voltei a trabalhar na área financeira para conseguir realizar o sonho de ter o meu próprio negócio. Afinal, de nada adianta boas ideias se você tem um planejamento financeiro ruim", fala.

Durante esse tempo, Nunes começou a fazer pesquisas de mercado e identificou que as tendências de São Paulo demoravam para chegar no interior. "Sempre tive ideia de abrir algo no interior, pois moro em Itu, e essas cidades estavam defasadas no quesito lanche. A maioria só tinha trailers com poucas opções e eu queria algo inspirado nas redes americanas Friday’s e Benny’s", fala.

Para isso, Nunes se dedicou por sete anos para conquistar R$ 200 mil e montar aquele que seria o seu sonho. "Sabia que seria possível muito mais se investisse em um cardápio e decoração legal. Escolhi um nome franqueável, Let´s Eat, que remetesse à ideia de algo novo, com conceitos vindo de fora do país. E investi em uma decoração diferente e cardápio com lanches, porções, sobremesas e bebidas, que acabaram fazendo com que eu estourasse meu orçamento inicial", relembra.

Empreendendo no Brasil

Em 2010, ele abriu sua primeira unidade e, nos meses que seguiram, embora o sentimento de felicidade de estar na cozinha fosse genuíno, o caixa da empresa não fechou. "Meu maior problema foi por conta do cardápio. Na época, queria que o pão fosse artesanal e fiz alguns testes em pequena escala. Mas produzir 30 pães é fácil, agora manter a qualidade fabricando 300 que é mais difícil. E a qualidade do lanche não estava adequada", conta.

Outro desafio de Nunes era que a população da cidade, que comia lanches mais baratos, não estava acostumada com o conceito do restaurante e seu custo mais elevado. A dívida com o banco cresceu e foi preciso fazer algumas alterações no negócio.

Foi então que ele repaginou toda a decoração, mudou o cardápio e insistiu, mais uma vez, nesse sonho. Para isso, ele vendeu um apartamento e corrigiu sua rota. "Comecei a comprar o pão em outra padaria, mudei o cardápio e troquei a equipe. Foquei em um atendimento mais especializado e também em treinamento para todos da cozinha", fala.

A repaginada que Marcos deu no negócio surtiu o efeito esperado que permitiu que ele desse um passo mais ambicioso: de estar presente em mais cidades do Brasil. Em 2013, foi inaugurada a primeira unidade em Indaiatuba. Atualmente a rede conta com 10 lojas nas cidades de Americana, Campinas, Indaiatuba, Itú, Jundiaí, Piracicaba, Valinhos, Mogi Guaçu, Hortolândia e Limeira e pretende expandir seus negócios.