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Ataque a faca deixa ao menos três mortos e vários feridos em igreja na França

ANA ESTELA DE SOUSA PINTO
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BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) - Um agressor com uma faca matou ao menos três pessoas e deixou vários feridos por volta das 9h (horário local, 5h no Brasil) desta quinta-feira (29) na basílica de Notre-Dame de Nice, na França. Segundo o jornal francês Le Monde, uma mulher foi degolada dentro da igreja agências de notícias falaram na possibilidade de decapitação, mas não há confirmação. O prefeito da cidade, Christian Estrosi, descreveu o incidente como um atentado terrorista. Disse que o agressor gritou "Allahu Akbar" (Deus é grande, em árabe) várias vezes, mesmo após ser detido. A polícia, que descreveu a cena como uma "visão de horror", segundo a imprensa local, afirma que o suspeito foi baleado e levado ao hospital. Segundo Estrosi, duas pessoas foram mortas dentro da igreja, e uma terceira, em um bar em frente à basílica, onde tentou se esconder. "Já chega! Temos que remover esse fascismo islâmico de nosso território", disse o prefeito. O presidente da França, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro, Jean Castex, reuniram-se com o ministro do Interior (responsável por segurança), Gérard Darmanin, em um gabinete de crise do ministério. Segundo o palácio, Macron irá a Nice após a reunião. Também nesta manhã, um saudita foi preso em Jidá após atacar um guarda do consulado francês com uma "ferramenta afiada", segundo a TV estatal do país. Na quarta, a França havia publicado avisos de segurança para cidadãos em países de maioria muçulmana. Os ataques ocorrem em meio a uma escalada de tensão em países de maioria muçulmana contra declarações do presidente francês de que a liberdade de expressão é um valor fundamental na França, ainda que manifestações possam ofender grupos específicos. Os discursos de Macron foram feitos após a morte do professor Samuel Paty, decapitado por um jovem de 18 anos por mostrar caricaturas de Maomé em aula sobre liberdade de expressão. Retratar o profeta é banido por religiosos muçulmanos, e as charges são vistas como insulto grave. Cartuns de Mamomé já haviam sido motivo para ataques contra o jornal satírico francês Charlie Hebdo em 2011, 2013 e 2015, quando 12 pessoas foram mortas em ataque terrorista. Em setembro, quando começou o julgamento de 14 acusados de envolvimento nesse atentado, o jornal republicou desenhos, alguns deles mostrados por Paty em sua aula. Dias antes da morte do professor, Macron havia anunciado um programa contra o que chamou de "separatismo islâmico", que estaria levando a radicalização e ao risco de terrorismo. A França tem a maior população islâmica da Europa: 6 milhões, ou cerca de 9% do total. Em países do Oriente Médio, da África e da Ásia houve protestos contra o presidente francês e pedidos de boicote a produtos franceses. Ainda não está claro se o incidente desta quinta tem relação com a crise iniciada devido às caricaturas de Maomé. Nas redes sociais, muçulmanos franceses condenaram o ataque. Em rede social, uma moradora de Nice, não identificada, convocou imigrantes islâmicos a fazerem uma noite de vigília na basílica, em protesto contra a violência. "Não podemos aceitar. Por que esse ataque à França, que nos deu tudo? As pessoas rezam para viver na França, se metem em barquinhos para chegar aqui, e então agridem o país dessa forma?", disse ela. Em 2016, Nice foi palco de um atentado perpetrado pelo grupo terrorista Estado Islâmico. Um terrorista dirigindo um caminhão avançou sobre a multidão que comemorava o Dia da Bastilha, em 14 de julho, deixando 86 mortos e 458 feridos.