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Astronautas chineses decolam na quinta para sua estação espacial

·3 minuto de leitura
Os astronautas Nie Haisheng, Liu Boming e Tang Hongbo em coletiva de imprensa no centro de lançamento espacial de Jiuquan, China, em 16 de junho de 2021

A China confirmou, nesta quarta (16), o lançamento na quinta-feira (17) às 9h22 (22h22 de hoje no horário de Brasília) de três astronautas para sua nova estação espacial.

A infraestrutura está em construção para uma primeira missão de três meses, que materializa as esperanças "do povo e do partido (comunista)".

Nesta quarta, véspera da missão, o trio de astronautas fez vibrar o espírito patriótico chinês.

Esta missão será a primeira vez em quase cinco anos que a China lançará um voo espacial tripulado.

Em meio a um contexto de tensões com o Ocidente, o sucesso desta missão é uma questão de prestígio para Pequim, que se prepara para comemorar o centenário do Partido Comunista Chinês (PCC), em 1º de julho.

Hoje, durante entrevista coletiva no centro de lançamento espacial de Jiuquan, no deserto de Gobi (noroeste), de onde decolarão, os astronautas fizeram uma saudação militar aos jornalistas, diante de uma grande bandeira vermelha com cinco estrelas.

O comandante da missão Nie Haisheng, que já realizou dois voos espaciais, ressaltou a dimensão patriótica desta operação.

"Por décadas, escrevemos capítulos gloriosos da história espacial chinesa, e nossa missão incorpora as expectativas do povo e do próprio Partido", disse.

Os três homens partirão a bordo da espaçonave Shenzhu-12, impulsionada por um foguete Longa Marcha 2F, que irá atracar em Tianhe ("Harmonia Celestial"), de acordo com a CMSA (agência espacial chinesa).

Os astronautas ficarão em Tianhe, o único módulo da estação que foi colocado em 29 de abril na órbita baixa da Terra, a 350-390 quilômetros de distância.

A bordo, eles se dedicarão aos trabalhos de manutenção, instalações, saídas para o espaço, preparação de futuras missões e das próximas estadas de outros tripulantes.

- Um combate 'a cada minuto' -

O trio realizou mais de 6.000 horas de treinamento, incluindo cambalhotas em uma piscina em trajes espaciais, para se acostumar com as saídas sem gravidade.

"Lutamos a cada minuto para realizar nosso sonho espacial", disse Liu Boming, outro membro da tripulação. "Treinei me dedicando à causa", acrescentou.

Em sua cápsula, os três soldados poderão escolher entre 120 alimentos nas refeições e treinar em uma esteira para se manterem em forma.

A missão Shenzhu-12 é o terceiro dos 11 lançamentos que serão necessários para a construção da estação, entre 2021 e 2022. Ao todo, estão planejadas quatro missões tripuladas.

Além de Tianhe, que já está em órbita, os dois módulos restantes - que serão laboratórios de biotecnologia, medicina e astronomia - serão enviados ao espaço no próximo ano.

Os dois últimos permitirão a experimentação em biotecnologia, medicina, astronomia e tecnologia espacial.

Após ser concluída, a estação terá uma massa de cerca de 90 toneladas e deverá ter uma vida útil de pelo menos dez anos, de acordo com a agência espacial chinesa.

Designada em inglês como CSS (para "Estação Espacial Chinesa") e como Tiangong em chinês ("Palácio Celestial"), a estação será semelhante em tamanho à antiga estação soviética Mir (1986-2001).

O interesse chinês em ter sua própria base humana na órbita da Terra foi alimentado pela proibição americana de seus astronautas estarem na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês).

A ISS - uma colaboração entre Estados Unidos, Rússia, Canadá, Europa e Japão - deve ser retirada de serviço em 2024, embora a NASA (a agência espacial americana) diga que poderá permanecer operante após 2028.

"Estamos prontos para cooperar com qualquer país que esteja comprometido com o uso pacífico do espaço", disse Ji Qiming, um alto funcionário da CMSA, à imprensa.

ehl-bar/sbr/at/age/zm/mr/tt

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