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Astronômico! Este é o valor do tratamento com coquetel REGN-COV2 contra COVID

Natalie Rosa
·4 minuto de leitura

Na última terça-feira, dia 20 de abril, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou o uso do coquetel REGN-COV2 para o tratamento da COVID-19. No entanto, o Brasil deve enfrentar um grande problema relacionado ao custo da combinação de medicamentos, preocupando especialistas. O REGN-COV2 é composto por dois fármacos de anticorpos monoclonais, casirivimabe e imdevimabe, desenvolvidos em laboratório pela empresa farmacêutica Regeneron, dos Estados Unidos, em parceria com a companhia Roche, da Suíça.

A administração deve ser feita em casos leves e moderados da doença provocada pelo coronavírus, em pacientes que tenham mais de 12 anos, mais de 40 quilos e alguma comorbidade que pode agravar o caso. O uso não é recomendado para pacientes hospitalizados com quadro grave de COVID-19, uma vez que o pode acabar piorando o estado.

De acordo com declaração do Ministério da Saúde, assim que o coquetel tiver registro definitivo pela Anvisa, o seu uso será incorporado ao SUS (Sistema Único de Saúde), e planos de saúde devem obrigatoriamente cobrir a administração dos medicamentos quando houver recomendação médica e hospitalização. Vale ressaltar que o intuito do medicamento não é de cura da COVID-19, mas sim de uma forma de evitar que a doença se agrave.

<em>Imagem: Reprodução/AnnaStills/Envato</em>
Imagem: Reprodução/AnnaStills/Envato

Preços astronômicos e eficácia moderada

O Estadão conversou com alguns especialistas para entender como será a realidade do uso do coquetel no Brasil em relação aos valores. Adriano Andricopulo, professor de química medicinal da USP, conta que o tratamento é muito caro e nada viável para a nossa realidade. "Estimo que um único tratamento com REGN-COV2 pode custar algo entre R$ 15 mil e R$ 25 mil. Isso é muito limitante para nossa realidade em relação aos custos e ao enorme número de novos casos", diz o profissional, supondo ainda que o uso do medicamento pode não ter efeito significativo na melhora da pandemia no Brasil.

Nos Estados Unidos, em janeiro, o governo do país encomendou a entrega de 1,25 milhão de doses do coquetel até o dia 30 de junho, totalizando US$ 2,62 bilhões. Ou seja, cada unidade de 2,4 mil mg custando US$ 2,1 mil. No Brasil, a posologia autorizada é de 1,2 mil mg, a metade.

Luís Correia, professor de medicina da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, disse ao Estadão que a liberação dos medicamentos pela Anvisa não significa que haverá uma adoção ampla do uso na saúde pública, pontuando que este tipo de autorização é diferente das que são fornecidas às vacinas. "O que temos, a rigor, é um indício de que essa droga é eficaz, mas não considero prova confirmatória da eficácia, como se costuma desejar antes da prescrição", pontua.

Correia diz ainda que a autorização é apenas uma das medidas para conter a pandemia. "O tratamento de uma doença não vem de uma única solução, é um conjunto de coisas. Precisamos de um conjunto de atitudes que reduzem a mortalidade, como ter drogas para fazer a intubação, ter equipes suficientes e treinada para intubar, ter aparelhos de diálise...", explica o professor.

O Estadão conversou também com o professor do Instituto de Microbiologia da UFRJ, Leandro Lobo, que pontuou os custos altos do REGN-COV2 e o fato de ele não ser uma solução milagrosa conta a doença. "Não é uma cura, mas é um alento para esses pacientes. Em pessoas sob grande risco, pode ter essa utilidade. Qualquer tratamento é bem-vindo, mas não vai ser a solução para nossa realidade e de nenhum outro país em desenvolvimento com um número de casos altíssimo", conta.

<em>Imagem: Reprodução/davidpereiras/Envato</em>
Imagem: Reprodução/davidpereiras/Envato

Leandro Lobo também demonstra preocupação com as questões éticas que podem surgir com a adoção do coquetel de medicamentos, uma vez que o SUS pode não ter a capacidade de adquirir doses suficientes para todas as pessoas que precisam do tratamento. Para o professor, até mesmo o uso na rede privada irá trazer problemas, mostrando a desigualdade existente no sistema de saúde brasileiro e que somente pessoas com muito dinheiro conseguirão adquirir o REGN-COV2.

Por que custa tão caro?

Lobo explica que o custo alto dos medicamentos se deve ao fato de que eles são anticorpos que precisam ser cultivados em laboratório e que contam com o auxílio de frascos específicos que terão a função de agir como biorreatores, dizendo ainda que o custo de manutenção dessas células é alto. Outra questão pontuada pelo profissional é em relação aos resultados apresentados pelo uso das drogas, que são classificados como moderados, o que justifica os testes terem acontecido com grupos de risco.

O professor também explica como os anticorpos do REGN-COV2 atuam no organismo em comparação com a vacina. Lobo conta que enquanto as vacinas trabalham na produção dos anticorpos, o tratamento com o coquetel injeta no paciente o anticorpo já formado, se conectando na proteína spike assim como os imunizantes. O objetivo principal das duas soluções é de impedir que o vírus entre nas células e se reproduza.

Segundo a Roche Farma Brasil, em comunicado, ainda não há um preço definido para o REGN-COV2 no Brasil, tampouco previsão de pedido para a fabricação nacional. Então, será preciso encomendar os lotes vindos do exterior, o que por si só não colabora com o valor da aquisição.

Fonte: Canaltech

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