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Astrônomos "ligam os pontos" de milhões de anos da história da Nuvem de Oort

·3 minuto de leitura

A cerca de 50 mil unidades astronômicas do Sol (sendo que cada UA equivale à distância média entre a Terra e o Sol), fica a Nuvem de Oort, que abriga bilhões de objetos. A formação dela ainda é uma incógnita já que, até então, somente algumas partes de sua história foram estudadas, e sempre separadamente. Agora, uma equipe de astrônomos da Universidade de Leiden conseguiu calcular os 100 primeiros milhões de anos da história desta misteriosa região do Sistema Solar.

A nuvem de Oort foi descoberta em 1950 pelo astrônomo holandês Jan Hendrik Oort, que propôs que ela pudesse explicar a ocorrência de cometas com órbitas alongadas. Só que, até então, o processo de formação da nuvem não ficou claro, porque ele é formado por diferentes fenômenos que dificilmente podem ser reproduzidos por computadores, sendo que alguns desses duraram apenas alguns anos e ocorreram em distâncias relativamente curtas. Em paralelo, outros se estenderam por bilhões de anos em distâncias comparáveis àquelas entre estrelas.

Simon Portegies Zwart, especialista em simulações astronômicas e principal autor do estudo, diz que "se você quiser calcular toda a sequência em um computador, você vai 'encalhar' em algum momento", e era por isso que, até agora, outras simulações foram feitas somente com eventos separados. Então, eles decidiram trabalhar com eventos separados, mas conseguiram ligar um ao outro. Ao usar o resultado de um cálculo como ponto de partida para o próximo, a equipe conseguiu mapear completamente a formação da nuvem de Oort. As simulações mostraram que, de fato, a nuvem vem do que sobrou do disco protoplanetário de gases e detritos que deu origem ao Sistema Solar, há 4,6 bilhões de anos.

Além disso, as simulações proporcionaram alguns detalhes interessantes: primeiro, os objetos que formam a nuvem vêm de diferentes lugares — o vídeo acima, por exemplo, mostra a evolução orbital de um asteroide que, após interagir com os gigantes gasosos, vai em direção à nuvem de Oort. Entre esses lugares, está a região mais próxima do Sistema Solar, com detritos e asteroides expulsos pelos gigantes gasosos da nossa vizinhança, mas há outro grupo de objetos vindos de estrelas que eram as vizinhas do Sol durante sua formação. Então, a nuvem pode ter capturado cometas que, originalmente, eram destas estrelas. Mas, de qualquer forma, ela se formou depois do Sol sair do grupo de estrelas em que nasceu.

Portegies Zwart, co-autor do estudo, explica que os cálculos mostraram a dinâmica e complexidade do processo: "com os nossos novos cálculos, mostramos que a nuvem nasceu de uma espécie de 'conspiração cósmica, na qual estrelas, planetas e a Via Láctea têm seus próprios papéis”, e ressaltou que os processos individuais dificilmente explicariam a formação dela. Ele ficou surpreso com os resultados: “só depois da conclusão dos cálculos, todas as peças do quebra-cabeça se encaixaram de repente, e tudo parecia bem natural e evidente; isso é, eu acho, um dos aspectos mais bonitos de ser um cientista”, finalizou.

O artigo com os resultados do estudo foi aceito para publicação na revista Astronomy & Astrophysics e já pode ser acessado no repositório online arXiv, sem revisão de pares.

Fonte: Canaltech

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