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Astrônomos descobrem que centauro distante é, na verdade, um cometa

Danielle Cassita
·2 minuto de leitura

Os centauros, rochas espaciais que parecem pequenos planetas e orbitam a região entre Júpiter e Netuno, são intrigantes e ainda não sabemos muito sobre eles. Entretanto, pode ser que avançamos um passo no entendimento deles: uma equipe de cientistas supervisionada por Colin Chandler, doutorando da Northern Arizona University, analisou o centauro 2014 OG392, que parece estar bastante ativo, e descobriram a verdadeira natureza do objeto.

Esses objetos provavelmente se formaram no Cinturão de Kuiper e, às vezes, têm características asteroide e também de cometa, como cauda e coma — daí o nome inspirado no ser mitológico híbrido. Desde 1927, apenas 18 centauros ativos foram descobertos e ainda entendemos muito pouco sobre eles; é que descobrir atividade nesses objetos é desafiador, porque eles são raros, a órbita deles é irregular e têm brilho fraco, de modo que observá-los não é fácil.

Na imagem, é possível ver o objeto e seu coma, enquanto as estrelas são as linhas causadas pela longa exposição (Imagem: Reprodução/Northern Arizona University)
Na imagem, é possível ver o objeto e seu coma, enquanto as estrelas são as linhas causadas pela longa exposição (Imagem: Reprodução/Northern Arizona University)

Nisso, o centauro em questão parecia sublimar dióxido de carbono ou amônia, que criava um halo digno de um cometa. Assim, para o estudo, a equipe desenvolveu um algoritmo de pesquisa em base de dados para localizar e identificar imagens do centauro em arquivos, além de realizar também um trabalho de observações com telescópios e outros instrumentos. "Nosso artigo descreve a descoberta de atividade emanando do 2014 OG392 com base em imagens de arquivos que descobrimos, junto de novas evidências observacionais", explica Chandler.

A equipe conseguiu detectar o coma a 400 mil km de distância do 2014 OG392 — o que é raro, já que os centauros costumam seguir suas órbitas longe do Sol e não seria possível ver a sublimação acontecendo — e desenvolveram uma nova técnica que combina medidas observacionais, como a cor e a massa da poeira, com modelos para estimar características como a sublimação do objeto e dinâmicas orbitais. Como resultado, o centauro foi reclassificado como cometa e agora se chama C/2014 OG392 (PANSTARRS). "Estou feliz por o Minor Planet Center ter fornecido uma nova designação de cometa para a atividade que descobrimos nesse objeto pouco usual", diz o autor.

Os resultados do estudo foram publicados na revista The Astrophysical Journal Letters.

Fonte: Canaltech

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