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Astrônomos descobrem nuvens na atmosfera de exoplaneta gigante gasoso

·2 minuto de leitura

O exoplaneta WASP-127b foi descoberto em 2016 e, agora, graças a dados obtidos por telescópios múltiplos, sabemos mais sobre as características deste mundo distante. Com o telescópio espacial Hubble e o Very Large Telescope (VLT), instalado no Chile, uma equipe internacional de astrônomos conseguiu detectar nuvens e coletar medidas da altitude e estrutura delas no planeta, o que abrirá o caminho para estudos similares de outros exoplanetas.

Localizado a cerca de 525 anos-luz de nós, o WASP-127b é considerado um “Saturno quente”, ou seja, é um planeta gigante e massivo como Saturno, e tem orbita sua estrela bem de pertinho — a proximidade é tanta que os anos por lá duram apenas 4,2 dias terrestres. Para estudá-lo, a equipe o observou passando em frente à estrela para detectar padrões na luz conforme foi filtrada pela atmosfera, sofrendo alterações de compostos químicos presentes por lá.

O Wasp-127b em comparação com o Sistema Solar (Imagem: Reprodução/David Ehrenreich/Université de Genève, Romain Allart/Université de Montréal)
O Wasp-127b em comparação com o Sistema Solar (Imagem: Reprodução/David Ehrenreich/Université de Genève, Romain Allart/Université de Montréal)

Depois, eles combinaram observações do telescópio Hubble com as medidas obtidas pelo espectrógrafo do VLT e conseguiram estudar diferentes regiões do planeta. Como resultado, eles tiveram algumas surpresas: a primeira foi o sódio, que estava presente a uma altitude muito menor do que se esperava. “Segundo, há fortes sinais de vapor d’água no infravermelho, mas não há quase nenhum nos comprimentos de onda visíveis”, disse Romain Allart, autor que liderou o estudo.

Para ele, isso sugere que os níveis mais baixos de vapor estão cobertos por nuvens opacas na luz visível, mas que ficam transparentes na luz infravermelha. “Ainda não sabemos a composição das nuvens, exceto que elas não são formadas por água como acontece na Terra”, comentou o autor. Além disso, a equipe também está intrigada com o sódio, que foi identificado em um lugar inesperado do planeta.

Como está muito próximo da estrela, o WASP-127b recebe cerca de 600 vezes mais radiação que a Terra, o que eleva as temperaturas lá para 1.100 ºC. Com isso, o planeta fica “inchado”, de modo que seu raio fica 1,3 vez maior que aquele de Júpiter, enquanto a massa chega a apenas 20% daquela do gigante gasoso. Com isso, este exoplaneta é um dos menos densos já descobertos, sendo também um dos mais inchados que conhecemos.

A natureza desses planetas os torna mais fáceis de observar, o que torna o WASP-127b um ótimo objeto de estudo para pesquisadores que trabalham com caracterização atmosférica. Curiosamente, as observações do espectrógrafo mostraram que, ao contrário do que acontece no Sistema Solar, o planeta orbita sua estrela em uma direção oposta à dela e em um plano diferente. “Todas essas características únicas tornam o WASP-127b um planeta que será intensamente estudado no futuro”, afirma o autor.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Astronomy & Astrophysics.

Fonte: Canaltech

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