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Astrônomos avaliam se a magnetosfera da Terra resistirá ao turbulento fim do Sol

·3 minuto de leitura

Estima-se que, dentro de 5 bilhões de anos, o principal combustível do Sol (o hidrogênio) terá se esgotado; com isso, ele começará a se expandir, tornando-se uma gigante vermelha. Em um novo estudo, astrônomos calcularam como a intensidade dos ventos solares acompanhará esta grande mudança, e descobriram que o campo magnético da Terra — importante escudo protetor da vida — será reduzido a quase nada.

Qualquer vida em nosso planeta que conseguisse sobreviver a essa fase, seria imediatamente destruída pela radiação solar. Então, surge a pergunta: seria possível o surgimento de um novo tipo de vida quando, então, o Sol tiver se transformado em uma anã branca?

O hidrogênio é o principal combustível das estrelas, responsável por alimentar as reações nucleares que ocorrem no interior delas. Uma vez esgotado, o Sol começará a se contrair diante de sua própria gravidade, enquanto as camadas mais externas se expandem — iniciando a fase de gigante vermelha, cujo raio será milhões de quilômetros além dos atuais limites. "O que não esperávamos descobrir é que o vento solar no futuro poderia ser tão prejudicial até mesmo para os planetas protegidos por um campo magnético", explica a astrofísica Aline Vidotto, da Trinity College e co-autora da pesquisa.

Por enquanto, a magnetosfera da Terra se mantém resistente aos ventos solares (Imagem: Reprodução/NASA)
Por enquanto, a magnetosfera da Terra se mantém resistente aos ventos solares (Imagem: Reprodução/NASA)

Após um bilhão de anos de expansão, o Sol finalmente se transformará em uma anã branca. Caso a Terra sobreviva a esta violenta mudança, ela fará parte de um sistema planetário bem diferente do nosso atual Sistema Solar. Uma vez que o núcleo da estrela se contrai, sua força gravitacional sobre os demais planetas enfraquecerá — os que não forem engolidos pela gigante vermelha serão descolados em até duas vezes para longe do Sol, em relação as suas atuais posições. Então, os pesquisadores queriam saber o quão intensa será esta radiação e se a magnetosfera terrestre conseguirá resistir.

Para isto, Vidotto e sua equipe simularam os ventos emitidos por 11 tipos diferentes de estrelas, com massas entre 1 a 7 vezes a do Sol. O estudo revelou que, à medida que o diâmetro do Sol se expande, no final de sua vida, tanto a velocidade quanto a densidade dos ventos solares variam descontroladamente — expandindo e contraindo sistematicamente os campos magnéticos de qualquer planeta que tenha sobrevivido. "Este estudo demonstra a dificuldade de um planeta manter sua magnetosfera protetora ao longo de todas as fases do ramo gigante da evolução estelar", aponta o astrofísico Dimitri Veras, da Universidade de Warwick, no Reino Unido, e principal autor do trabalho.

Um planeta só conseguirá manter seu campo magnético caso ele seja 100 vezes mais forte do que a magnetosfera de Júpiter ou mais de mil vezes a intensidade do campo da Terra, de acordo com o estudo. A pesquisa também oferece implicações sobre a busca de vida extraterrestre, pois alguns astrônomos acreditam que anãs brancas, que são estrelas moribundas, podem hospedar planetas potencialmente habitáveis. É muito improvável que a vida sobreviva ao intenso processo de morte de sua estrela hospedeira, mas uma nova forma de vida, segundos os autores, poderia surgir do que tiver sobrado deste mundo.

O estudo foi integralmente publicado no periódico científico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society em 21 de julho deste ano.

Fonte: Canaltech

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