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Astrônomos apontam para nova classe de exoplanetas que poderiam ser habitáveis

·3 minuto de leitura

Até o momento, só se conhece a vida em nosso planeta. Por isso, as buscas por vida extraterrestre costumam focar em exoplanetas parecidos com a Terra. No entanto, isso não significa que a vida não possa existir em mundos diferentes. Em um novo estudo, astrônomos concluíram que planetas do tipo mininetuno, com atmosferas ricas em hidrogênio e a uma certa distância de suas estrelas, poderiam abrigar a vida como a conhecemos.

Exoplanetas do tipo mininetuno são bem mais numerosos entre os já conhecidos do que os rochosos, como a Terra. Segundo o astrônomo Nikku Madhusudhan, da Universidade de Cambridge e principal autor de um novo estudo avaliando estes planetas, algumas condições nos oceanos desses mundos podem ser semelhantes às condições habitáveis dos oceanos da Terra. “Ou seja, temperaturas e pressões semelhantes, presença de água líquida e energia da estrela", acrescenta Madhusudhan. A equipe apelidou estes planetas de “Hycean”.

Conceito artístico do exoplaneta K2-18b (Imagem: Reprodução/NASA)
Conceito artístico do exoplaneta K2-18b (Imagem: Reprodução/NASA)

A equipe supõe que, se a vida aquática microbiana pode se formar nesses oceanos assim como aconteceu na Terra, é possível encontrar bioassinaturas em suas atmosferas. Até hoje, foram encontrados e confirmados mais de 4.500 exoplanetas e o tipo mais comum é o mininetuno — com cerca de 1,6 a 4 vezes o diâmetro da Terra. Seu tamanho e composição, apontam os pesquisadores, resultam em uma atmosfera densa e rica em hidrogênio e, possivelmente, um oceano líquido logo abaixo.

Estudos anteriores indicam que a pressão nesses mundos seria muito forte para sustentar a vida, mas, no ano passado, Madhusudhan e sua equipe publicaram um artigo sobre o mininetuno K2-18b, em que eles apontaram uma série de condições sob as quais esse exoplaneta poderia, sim, ser habitável. Agora, a nova pesquisa amplia essa possibilidade, definindo alguns parâmetros. Segundo eles, mundos “Hycean” podem ter até 2,6 vezes o tamanho da Terra e até 10 vezes sua massa.

Além disso, os astrônomos apontaram para um intervalo maior entre a distância desses mundos de suas estrelas hospedeiras para abrigar vida, ou seja, uma zona habitável mais ampla. Exoplanetas Hycean podem estar tão próximos de sua estrela que as temperaturas atmosféricas chegam a quase 200 °C ou a distâncias maiores, em que planetas rochosos podem ser muito gelados. "O aquecimento do efeito estufa, devido ao hidrogênio molecular (H2), é tal que o planeta pode estar muito longe da estrela e ainda ter condições habitáveis ​​quentes na superfície", acrescenta Madhusdhan.

(Imagem: Reprodução/NASA/ESA/Z. Levy)
(Imagem: Reprodução/NASA/ESA/Z. Levy)

De acordo com a pesquisa, mundos muito próximos de suas estrelas a ponto de serem travados pela força de maré, onde um lado do planeta é permanentemente iluminado por sua estrela, seriam classificados como “Hycean escuro” — ali, a vida só poderia existir no lado noturno. Já os mundos “Hycean frios” seriam os localizados a distâncias menores, recebendo pouca luz, calor e radiação. Estes novos parâmetros poderão direcionar olhares para futuras pesquisas de atmosferas desses mundos à procura de bioassinaturas.

No artigo, a equipe apresenta alguns desses biomarcadores que seriam encontrados em mundos Hycean, como cloreto de metila e sulfeto de dimetila, que podem sinalizar a presença de vida. A equipe espera que, com novos equipamentos, como o Telescópio Espacial James Webb, previsto para ser lançado ainda neste ano, esse trabalho seja realizado de maneira satisfatória. "Este é um caminho fundamentalmente novo em nossa busca por vida em outro lugar e contém uma promessa significativa para a detecção de vida em um exoplaneta em questão de alguns anos", ressalta Madhusdhan.

Fonte: Canaltech

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