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Asteroides na órbita de Júpiter têm mais diferenças do que cientistas esperavam

Danielle Cassita
·2 minuto de leitura

Júpiter, o maior gigante gasoso do Sistema Solar, divide sua órbita em torno do Sol com um grupo de cerca de 8 mil asteroides chamados “troianos”. Eles se dividem em dois grupos que, até então, eram considerados bastante similares. Agora, um novo estudo sugere que essas rochas são ainda mais peculiares do que se pensava, principalmente quando o assunto é a forma delas.

Os troianos se dividem em dois grupos de acordo com os pontos de Lagrange onde estão localizados: aqueles que orbitam o Sol bem à frente de Júpiter fazem parte do grupo L4, enquanto os do grupo L5 seguem em sua trajetória atrás do gigante gasoso, sendo que ambos os pontos são gravitacionalmente estáveis. Até então, era considerado que os objetos do grupo L4 eram um pouco maiores que os demais e que não havia outras diferenças significativas entre eles.

Representação dos troianos em verde (Imagem: Reprodução/Wikipedia Commons)
Representação dos troianos em verde (Imagem: Reprodução/Wikipedia Commons)

Então, neste estudo, a equipe trabalhou com dados obtidos pelo sistema de alertas Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System (ATLAS) e teve uma surpresa: eles perceberam que existem variações nas formas dos troianos, de modo que os objetos que fazem parte da população do ponto L4 são mais alongados que aqueles do L5. Essa diferença pode trazer implicações importantes para a evolução dessas nuvens de asteroides — e até do Sistema Solar.

É que, como a população do grupo L4 é maior, isso significa que os objetos que o compõem tiveram mais oportunidades de colidir uns com os outros. Quando essas colisões acontecem, os objetos maiores se quebram em pedaços menores ou são desgastados e, após bilhões de anos deste processo, ficamos então com objetos do grupo L4 com formas mais alongadas que aqueles do outro grupo.

Essa descoberta é mais uma peça no quebra-cabeças da evolução da nossa vizinhança espacial, principalmente porque se acredita que os troianos sejam formados pelo material que sobrou da formação e evolução do Sistema Solar logo em suas etapas iniciais. Assim, é certo que os troianos de Júpiter ainda têm muito mais a ensinar para os cientistas em um futuro próximo — tanto que, em outubro, a NASA deverá lançar a missão Lucy para visitar esses objetos, para então sabermos mais sobre a estrutura, idade e composição deles.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado no repositório online arXiv, e ainda não foi revisado por pares.

Fonte: Canaltech

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