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Asteroide Ryugu pode ter perdido sua água antes mesmo de se formar; entenda

Danielle Cassita
·3 minuto de leitura

Depois de uma jornada de seis anos, a sonda Hayabusa 2 voltou para casa recentemente com amostras do asteroide Ryugu, que foram liberadas em uma cápsula resgatada na Austrália. Embora as análises do material estejam apenas começando, pesquisadores já estão trabalhando com dados dos instrumentos da nave para entender melhor o passado do asteroide, e um novo estudo destas informações pode explicar o porquê de o Ryugu não ter tantos minerais ricos em água quanto outros objetos espaciais.

O Ryugu pertence a uma classe de asteroides de cor escura e que pode ter minerais com água e compostos orgânicos — e é possível que estes asteroides sejam os “pais” dos condritos carbonáceos, os meteoritos ricos em carbono que, apesar de já terem sido amplamente estudados em laboratórios de todo o mundo, ainda não se sabe bem qual seria o objeto que os teria originado. Como o Ryugu é formado por uma pilha de rochas unidas pela gravidade, os cientistas consideram que o asteroide se formou a partir dos detritos liberados por grandes impactos em asteroides maiores e mais sólidos. Antes, se pensava que o Ryugu era, na verdade, composto por uma massa úmida de variadas rochas, mas outros estudos revelaram que o objeto tinha menos água do que o esperado.

Para coletar as amostras do Ryugu, a Hayabusa 2 precisou abrir uma cratera artificial nele (Imagem: Reprodução/JAXA)
Para coletar as amostras do Ryugu, a Hayabusa 2 precisou abrir uma cratera artificial nele (Imagem: Reprodução/JAXA)

Assim, no estudo, os pesquisadores buscaram entender o que teria feito com que o Ryugu não fosse tão rico em minerais com água quanto outros asteroides; por exemplo, é possível que a assinatura de água vista hoje nele seja o que restou de um asteroide “pai” que sofreu algum tipo de aquecimento e perdeu o líquido — mas também pode ter perdido depois de uma disrupção catastrófica, depois da qual ele teria se formado novamente como uma pilha. Por fim, outro cenário sugere que o Ryugu já deu algumas voltas mais próximo do Sol no passado, o que poderia tê-lo ressecado.

Segundo Ralph Milliken, co-autor do estudo, a equipe quer entender a distribuição de água no Sistema Solar primordial e como essa água foi parar na Terra: “pensava-se que os asteroides com água tiveram algum papel nisso, então vamos poder entender melhor a abundância e história destes minerais nesses tipos de asteroides com o Ryugu”. De fato, a amostra do asteroide é um material de grande valor científico, que irá ajudar os cientistas a entender melhor o passado do Sistema Solar. Felizmente, a sonda estava equipada com instrumentos que podem ajudar os cientistas a resolver o mistério envolvendo a água.

Quando o visitou em 2019, a Hayabusa 2 disparou um pequeno projétil na superfície do asteroide, que criou uma pequena cratera e expôs rochas em seu interior. Assim, por meio de um espectrômetro capaz de identificar minerais com água, os cientistas conseguiram comparar a quantidade de água na superfície com aquela da subsuperfície, e os resultados mostraram que as camadas mais externas e internas tinham assinaturas de água parecidas — na prática, isso corresponde à ideia de que o asteroide “pai” do Ryugu se secou. “Vemos que a superfície e a subsuperfície são bastante similares, e os dois têm relativamente pouca água, o que nos leva à ideia de que foi o objeto pai do Ryugu que foi alterado”, explica Milliken.

Mesmo assim, ainda é cedo para ter certezas e mais trabalho será preciso para confirmar essa ideia — até porque o tamanho das partículas da subsuperfície pode acabar influenciando a interpretação das medidas obtidas pelo espectrômetro. Como o material que foi escavado pode ter grãos menores do que aqueles na superfície, este efeito do tamanho dos grãos pode afetar a coloração aparente do material em relação àquele da superfície, e é difícil ter precisão ao estudá-lo remotamente. A boa notícia é que, desde a chegada das amostras, cientistas de todo o mundo receberão porções delas para estudos.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Nature Astronomy.

Fonte: Canaltech

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