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Asteroide que será visitado por sonda da NASA tem uma lua ao seu redor

Felipe Junqueira

Uma das missões da NASA inicialmente previstas para 2020, mas já revistas para 2021, é chamada Lucy e tem como objetivo estudar asteroides perto de Júpiter, buscando respostas sobre a história do Sistema Solar. E a agência espacial acaba de descobrir que um dos asteroides a ser estudados, o Eurybates, possui um pequeno satélite natural ao seu redor.

É uma espécie de “bônus” na missão, já que vai gerar ainda mais dados para serem estudados. A descoberta foi confirmada com análises de imagens feitas pelo telescópio espacial Hubble em três ocasiões: setembro de 2018, dezembro de 2019 e janeiro de 2020. “Esse novo satélite descoberto é mais de 6.000 vezes mais fraco que o Eurybates, o que implica em um diâmetro de menos de 1 km”, avaliou Hal Levison, principal pesquisador do assunto. “Se essa estimativa se provar correta, ele será um dos menores asteroides visitados”.

A primeira observação do asteroide feita com o Hubble, já na busca por pequenos objetos que possivemente estariam em sua órbita, foi realizada em 2018. Porém, apenas em novembro do ano passado os pesquisadores notaram que havia algo a ser observado com mais atenção na área. Então, eles pediram à equipe do Hubble que pegasse mais imagens do asteroide, e conseguiram três boas oportunidades.

Maquete da espaçonave que vai inspecionar asteroides perto de Júpiter (Foto: Reprodução)

O objeto era difícil de ver e se movia em uma órbita desconhecida em torno do asteroide. Não era certeza que o Hubble conseguiria captar algo, mas valia a tentativa. “Nas primeiras duas observações em dezembro, não vimos nada, então começamos a achar que estávamos sem sorte. Mas na terceira órbita, ali estava”, contou Keith Noll, co-descobridor do satélite natural de Eurybates.

A equipe agora trabalha com o pessoal do Hubble para programar mais imagens, mas isso deve ficar apenas para o meio do ano. Até lá, o asteroide está em uma posição que o Hubble não consegue vê-lo, pois está muito perto do Sol e logo vai passar “por trás” da estrela. O telescópio espacial não pode ser apontado diretamente para o Astro Rei.

Enquanto isso, a equipe realiza novos cálculos para garantir que a missão consiga captar dados suficientes tanto do asteroide quanto de sua lua. Não há necessidade de fazer alterações na arquitetura e nem na programação da espaçonave.

O que é o Eurybates?

Existe uma trilha de objetos circulando o Sol na mesma distância de Júpiter, com o gigante gasoso mais ou menos em meio a eles, como se fosse uma fila indiana orbitando a estrela central de nosso sistema. Esses asteroides são conhecidos como asteroides troianos, grupo do qual o Eurybates faz parte.

Esses objetos estão presos em órbitas associadas aos Pontos de Lagrange há bilhões de anos, influenciados pela gravidade tanto do Sol quanto de Júpiter. A missão Lucy vai estudar esses curiosos e antigos objetos, o que possibilitará uma compreensão melhor sobre as origens da Terra e do Sistema Solar, já que esses corpos são remanescentes da formação de nosso quintal espacial.

“Existem poucos asteroides troianos com satélites, e a presença de um satélite é particularmente interessante para o Eurybates”, disse Thomas Statler, cientista que integra o programa Lucy. “Este é o maior objeto da única família colisional troiana - cerca de 100 asteroides podem ter origem e são provavelmente fragmentos da mesma colisão”. De acordo com o pesquisador, estudar um satélite colisional de perto pode ser crucial para compreendermos essas colisões e a formação de outras populações satelitares menores.

A missão Lucy será lançada em outubro de 2021 e será a primeira a estudar asteroides troianos, com sobrevoos programados para seis destes corpos celestes. A previsão é que a espaçonave sobrevoe Eurybates apenas em 2027.

Fonte: Canaltech

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