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Associação de funcionários do BB questiona escolha de sócio para a DTVM

Mariana Ribeiro e Edna Simão

Em entrevista ao Valor, o presidente do banco estatal, Rubem Novaes, disse que busca um sócio estrangeiro para ampliar o alcança dos produtos A Associação Nacional de Funcionários do Banco do Brasil (ANABB) encaminhará ofício ao Tribunal de Contas da União (TCU) questionando a intenção da atual gestão do banco de escolher um sócio estrangeiro para a gestora de fundos da instituição, a BB DTVM. A associação pretende também mobilizar, na volta do recesso legislativo, a Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Bancos Públicos.

Em entrevista ao Valor nesta semana, o presidente do BB, Rubem Novaes, disse que esse processo, que visa ampliar o alcance dos produtos do banco, deve ser concluído ainda no primeiro semestre deste ano. A parceria levará, na prática, à privatização da gestora.

Na avaliação da associação, “urge avaliar a legalidade e a legitimidade dos atos de gestão do Banco do Brasil no que diz respeito à privatização da BB DTVM”. “O valor imensurável da marca BB na geração de oportunidades e no potencial de alavancar negócios, hoje e no futuro, precisa ser levado em conta nas anunciadas decisões de vendas de ativos do Conglomerado Banco do Brasil”, diz o ofício, citando também a parceria entre BB Banco de Investimentos (BB-BI) e UBS, anunciada em novembro do ano passado.

Associação Nacional de Funcionários do Banco do Brasil (ANABB) também buscará parlamentares para questionar escolha de sócio

Ana Paula Paiva/Valor

“Estranhamente, embora se fale em competitividade na privatização da BB DTVM e BB-BI, os gestores do Banco do Brasil anunciam desativação de negócios no exterior – nos Estados Unidos –, redução na presença – em Portugal, às vésperas dos impactos do Brexit. Na direção oposta de tais decisões, grandes bancos brasileiros consolidam estrategicamente suas atuações nesses mercados, estreitando os vínculos com clientes brasileiros e estrangeiros”, coloca o documento.

A entidade afirma que a BB DTVM tem entre suas atividades a administração, gestão e distribuição de fundos e carteiras administradas e que “mesmo bancos de menor porte mantêm, na estrutura interna, sua distribuidora”. Destaca também a relevância da gestora no segmento, que, com mais de R$ 1 trilhão em ativos, é líder no país, com participação de mais de 20% no mercado.

Os funcionários afirmam ainda que os resultados do BB sintetizam “o esforço de negócios de diversas áreas na busca pela liderança em nichos estratégicos do mercado financeiro”. “O desmonte ou a desestruturação de unidades lucrativas pode gerar sérias consequências no futuro”, argumenta.

De acordo com o documento, sem considerar o recolhimento de impostos, o BB alimentou o caixa da União com R$ 33 bilhões nos últimos 12 anos. “Apenas com o lucro de 2018, mais de R$ 5 bilhões foram distribuídos para acionistas e investidores, sendo R$ 2,7 bilhões para o Tesouro”, diz a associação, completando que é preciso evitar decisões que possam “significar no futuro perda de dividendos para o Tesouro Nacional”.

O documento coloca ainda que a presença marcante do BB na oferta de serviços financeiros é potencializada pela “qualificação dos recursos humanos” do banco e pela “rede de quase 65 mil pontos de atendimento, com presença em 99,5% dos municípios brasileiros”, completada pela evolução dos canais automatizados e digitais.