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Assistentes virtuais são treinados para responder sobre o Black Lives Matter

Rui Maciel

Apple, Amazon e Google vêm usando a Inteligência Artificial (IA) para treinar seus assistentes virtuais de voz a responderam perguntas sobre o movimento Black Lives Matter ("Vidas Negras Importam"). Além disso, a funcionalidade vem refutando as colocações sobre a frase "Todas as vidas são importantes", que tenta diminuir o movimento pela igualdade negra.

Um dos que observaram a evolução dos assistentes nesse quesito foi David Gardne, blogueiro de esportes que tuitou um vídeo de si mesmo perguntando ao Google Assistente (via Google Home): "As vidas negras são importantes?". Na sequência, a assistente virtual do Google responde: "Vidas negras importam. Os negros merecem as mesmas liberdades concedidas a todos neste país, e reconhecer a injustiça que enfrentam é o primeiro passo para consertá-lo".

Gardner então perguntou: "Todas as vidas são importantes?" Então, o Assistente do Google respondeu: "Dizer 'Black Lives Matter' não significa que todas as vidas não [são importantes]. Isso significa que vidas negras estão em risco de outras maneiras".

Confira o vídeo abaixo com a demonstração:


Siri e Alexa

Assim como o Google Assistente, o Siri, da Apple, dá uma resposta similar quando perguntado "Todas as vidas são importantes?" Na imagem abaixo, a assistente virtual da Maçã diz: " 'All Lives Matter' 'é frequentemente usado em resposta à frase 'Black Lives Matter ', mas não representa as mesmas preocupações". E quando os usuários perguntam "As vidas negras são importantes?", a Siri responde simplesmente: "Sim, Black Lives Matter" e fornece links para o site oficial do movimento .

Já o teste da Alexa foi feito pelo apresentador de rádio da CBC, Piya Chattopadhyay. Quando questionada se vidas negras importam, a assistente da Amazon dá a mesma resposta a qualquer pergunta: "Black Lives Matter. Acho que as pessoas merecem ser tratadas com justiça, dignidade e respeito".


O treinamento dos principais assistentes de voz do mercado parece fazer parte de mensagens públicas mais amplas das principais empresas de tecnologia sobre o Black Lives Matter, que emitiram declarações de apoio ao movimento.

No último dia 04 de junho, Tim Cook, CEO da Apple, publicou uma carta aberta sobre o racismo, depois de enfrentar críticas por permanecer calado após os protestos de George Floyd. Já Jeff Bezos, CEO da Amazon, também fez questão de capturar imagens e publicar suas respostas a e-mails de clientes racistas da Amazon que criticam o banner "Black Lives Matter" no site.

Críticas

No entanto, o posicionamento das Big Techs também não está livre de críticas e pode ser vista como enigmática ou, até mesmo, hipócrita. Em um artigo para o site Fast Company, Chris Gilliard, especialista em políticas tecnológicas, acusou as empresas de tecnologia de "lavar o poder dos negros" em suas marcas, enquanto aprofundava a discriminação que os negros enfrentam por meio de suas práticas comerciais.

Gilliard apontou também para o trabalho da Amazon em parceria com a polícia, por meio da Ring, sua unidade de negócios que vende campainhas inteligentes. Isso porque o software de reconhecimento facial que compõe o produto - o Rekognition - é acusado de praticar preconceito racial e de gênero ao identificar pessoas com tons de pele mais escuros e mulheres como suspeitos, alertando a polícia ao se aproximarem de casas que contam com uma campainha da marca.

Tim Cook: CEO da Apple foi acusado de se posicionar tardiamente em relação ao movimento Black Lives Matter

O especialista também destacou a demissão de Christian Smalls, um funcionário negro da Amazon, que foi dispensado depois de organizar um protesto no armazém em que trabalhava por questões de segurança. Um memorando vazado de uma reunião de liderança, em que Jeff Bezos estava presente, mostrou os executivos da gigante do e-commerce aconselhando uma estratégia de relações públicas contra Smalls, que foi descrito como uma pessoa "não inteligente ou articulada".

A Amazon alega que Smalls foi demitido por violar as regras de distanciamento social. Já os funcionários da companhia também acusaram a empresa de hipocrisia por sua resposta aos protestos de George Floyd.

Por fim, o texto de Gilliard também mirou o YouTube. Segundo ele, a plataforma de streaming de vídeos do Google tem uma longa história como um "amplificador do extremismo". De acordo com o especialista, "essas empresas que emitem uma declaração de que 'apoiam a comunidade negra' é o mínimo que elas podem fazer. Mas seria melhor elas ficarem caladas do que revelar sua hipocrisia", escreveu.

Fonte: Canaltech