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Assintomáticos com coronavírus podem ter resposta imunológica mais fraca

Estudo coloca em questionamento o “passaporte imunológico” para assintomáticos (Foto: Agência Brasil/Reprodução)

Uma pesquisa sugere que pessoas infectadas pelo novo coronavírus que não manifestaram sintomas relacionados à doença, ou seja, assintomáticas, podem ter uma resposta imunológica mais fraca ao vírus. O estudo foi publicado em artigo na revista britânica Nature Medicine, na semana passada. 

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Os cientistas que assinaram a publicação, liderados por Ai-Long Huang, fizeram uma análise clínica e imunológica em 37 pacientes infectados pela Covid-19 que não apresentaram sintomas como febre, tosse ou falta de ar ou qualquer outro relacionado ao novo coronavírus, do total de 74 (no grupo também havia pessoas com sintomas leves da doença). O pacientes estavam internados em um hospital no distrito de Wanzhou, no sudoeste da China.

O resultado foi que de oito a 12 semanas após a alta hospitalar, os níveis de anticorpos neutralizantes, que têm capacidade de dar imunidade ao vírus, diminuíram 81,1% nos pacientes sem sintomas, em comparação com 62,2% nos pacientes com sintomas. 

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Ou seja, os pacientes que testaram positivo para Covid-19 sem apresentar sintomas tiveram um nível imunidade mais baixo do que aqueles que tiveram sintomas. 

Passaporte imunológico

Isso não significa que a imunidade desaparece, pois mesmo níveis baixos dos anticorpos neutralizantes podem atuar de modo protetivo. O estudo não traz conclusões nesse sentido e alerta para a necessidade de pesquisas de mais longo prazo para definir quanto tempo dura a imunização contra a doença em pacientes já infectados.

No entanto,a pesquisa coloca em questionamento uma ideia defendida pelo governo de Jair Bolsonaro (sem partido): o “passaporte imunológico”. 

Lançada pelo ministro da Economia Paulo Guedes, em abril deste ano, o país concederia um documento às pessoas que já foram infectadas pelo novo coronavírus e se recuperaram. Um dos objetivos, era para que elas pudessem voltar ao trabalho. 

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À época, cientistas disseram não saber se nosso corpo é, de fato, capaz de desenvolver uma defesa prolongada à Covid-19. Apesar disso, a ideia foi defendida pelo Ministério da Saúde.

Os autores do estudo afirmam que o resultado, juntamente com análises anteriores de anticorpos neutralizantes em pacientes em recuperação da Covid-19, levanta preocupações em relação à validade de usar testes para indicar pessoas supostamente já imunes à doença. 

“Esses dados podem indicar os riscos do uso de 'passaportes de imunidade' da covid-19 e apoiam o prolongamento de intervenções de saúde pública, incluindo distanciamento social, higiene, isolamento de grupos de alto risco e testes generalizados”, escrevem os pesquisadores. 

Segundo o jornal O Estado de São Paulo, autoridades de saúde de alguns países, como a Alemanha, estão debatendo a ética e a viabilidade de se permitir que pessoas que tiveram um exame de anticorpos positivo circulem com mais liberdade do que as que não tiveram.

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