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Assessoras repassaram salários a advogado de Flávio Bolsonaro durante campanha ao Senado

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Foto: Mauro Pimentel/AFP via Getty Images
Foto: Mauro Pimentel/AFP via Getty Images

Duas assessoras repassaram R$27 mil de seus salários e auxílio-alimentação ao advogado do agora senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), quando o filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disputava uma vaga no Senado durante a campanha eleitoral de 2018 pelo PSL. As informações são do UOL.

Tais movimentações mostram que o esquema de “rachadinha” no gabinete do então deputado na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) ultrapassava os limites dos depósitos realizados pelo ex-assessor Fabricio Queiroz, apontado como operador financeiro. Nesta segunda-feira (28), o Ministério Público do Rio (MP-RJ) denunciou ao Tribunal de Justiça do Rio o senador Flávio Bolsonaro, depois de mais de dois anos de investigação.

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De acordo com o UOL, foram 22 repasses realizados entre junho e dezembro de 2018 ao advogado Luis Gustavo Botto Maia, responsável pela parte jurídica da candidatura de Flávio Bolsonaro ao Senado. Foram 15 depósitos de Alessandra Cristina Oliveira e 7 vindos de Valdenice Meliga.

As duas atuavam como assessoras parlamentares do filho do presidente e, simultaneamente, dirigentes do PSL, partido de Flávio e Jair no pleito de 2018.

Questionado pelo portal sobre os repasses, Flávio Bolsonaro não se manifestou. Botto Maia também não respondeu.

Botto Maia já foi alvo de mandado de busca e apreensão por suspeita de participar de uma tentativa de obstrução às investigações sobre a rachadinha.

Flávio Bolsonaro e ex-assessores na Alerj são investigados pelo MP-RJ pela repartição ilegal de salários, a chamada rachadinha. De acordo com a investigação, Queiroz teria recebido ao menos R$ 2 milhões por meio de depósitos realizados por assessores de Flávio.

Outros repasses

Segundo o UOL, os dados bancários ainda deixam claro outros repasses. Além de enviar dinheiro a Botto Maia, Valdenice fazia repasses para Alessandra. Por outro lado, Valdenice recebia depósitos de outra assessora, Lídia dos Santos Cunha.

Chama a atenção que a maioria dos repasses era realizada no mesmo dia ou até quatro dias depois dos depósitos da Alerj. Depois de receberem os salários, cada uma das três assessoras transferia o mesmo valor, de R$ 2.562,31.

Os depósitos mensais se repetiram até dezembro de 2018, quando se encerra a quebra de sigilo bancário autorizado pela Justiça. Ao todo, Alessandra, por exemplo, transferiu para Botto Maia 45% do seu salário líquido na Alerj em 2018, mais 50% do auxílio-alimentação. O montante final totaliza R$ 20,8 mil.