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Assembleia Geral da ONU marcada pela covid, o clima e tensões diplomáticas

·4 minuto de leitura

Começa nesta terça-feira uma Assembleia Geral da ONU que será marcada pela pandemia da covid-19, a mudança climática e as tensões diplomáticas dos Estados Unidos com a França e a China.

Diferentemente do ano passado, o evento é celebrado de forma híbrida, presencial e remota. Apesar de as autoridades sanitárias de Nova York terem dito que o encontro estava sujeito às regras para espaços fechados, o titular da Assembleia Geral, Abdulla Shahid, disse depois que para participar bastava declarar não ser portador do vírus.

Seguindo a tradição, o primeiro a falar será o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro.

Também foi anunciada a presença no evento dos presidentes de Cuba, Miguel Díaz-Canel, e da Venezuela, Nicolás Maduro, apesar de Washington oferecer uma recompensa de 15 milhões de dólares por sua captura por acusações de terrorismo e tráfico de drogas.

- Diplomacia quente -

O discurso do presidente americano, Joe Biden, também nesta terça, desperta muito interesse diante da conturbada atualidade internacional, após a caótica retirada dos Estados Unidos do Afeganistão, do confronto diplomático com a França e das tensões com Pequim.

Segundo uma fonte do seu governo, o presidente dirá que "não acredita na ideia de uma nova Guerra Fria com um mundo dividido em blocos", no contexto da feroz rivalidade entre Washington e Pequim, mas que "acredita em uma concorrência vigorosa, intensa e baseada em princípios".

Biden irá a Nova York com um discurso de união, segundo este alto funcionário.

O presidente quer que a comunidade internacional saiba que depois da retirada do Afeganistão, que irritou muito de seus aliados, "abre-se um capítulo" da "diplomacia americana personalizada, decidida e eficaz, definida pela cooperação com aliados e parceiros para resolver problemas que não podem ser (resolvidos) pela força militar", disse.

Em relação à tensão com a França, Biden está "impaciente" por falar por telefone com seu colega francês, Emmanuel Macron, depois que Paris protestou contra uma aliança estratégica entre os Estados Unidos, o Reino Unido e a Austrália, no âmbito do qual Washington fornecerá submarinos de propulsão nuclear a Canberra, jogando por terra um acordo para que a França lhe fornecesse submarinos convencionais.

Mas as prioridades diplomáticas de Biden estão claras: na terça-feira manterá um encontro à margem da Assembleia com o premier australiano, Scott Morrison, e ao voltar para a Casa Branca, receberá o premier britânico, Boris Johnson.

- Johnson frustrado -

Ao longo da semana estão previstos fóruns para analisar os desafios do meio ambiente - nesta segunda - e a preparação para eventuais futuras pandemias - na quarta.

Em um encontro sobre o clima, Johnson criticou os países ricos por descumprirem suas promessas para enfrentar as mudanças climáticas e mobilizar 100 bilhões de dólares ao ano a partir de 2020 para ajudar os países mais pobres a reduzir suas emissões de carbono, minimizar o impacto das mudanças climáticas e adaptar suas economias.

"Todos assentem e todos estamos de acordo em que 'algo deve ser feito'", mas "confesso que estou cada vez mais frustrado porque aquilo com o que muitos de vocês se comprometeram está longe de se cumprir", disse Johnson, faltando menos de dois meses para a cúpula climática COP26 em Glasgow, em novembro.

A queixa ocorre depois que o secretário-geral da ONU, António Guterres, advertiu que o mundo estava em um caminho "catastrófico" rumo a um aquecimento de 2,7 graus centígrados, com base no último relatório da organização.

A cifra rompe o limite de elevação da temperatura previsto no acordo climático de Paris, que apontava a um aquecimento muito abaixo de 2°C e preferivelmente limitado a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

Nenhum dos líderes dos três países mais poluidores do mundo - Biden, o chinês Xi Jinping e o indiano Narendra Modi - foi representado no encontro.

- América Latina combalida -

Em uma América Latina duramente castigada pela pandemia, o grito lançado pelos países da região na cúpula da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC), celebrado no sábado no México, não deixa dúvidas.

"Há países que ainda não têm vacinas; tem sido injusto, abusivo (...) Que nunca mais volte a acontecer na América Latina e no Caribe algo assim!", disse o chanceler mexicano, Marcelo Ebrand, em seu balanço do encontro.

A América Latina é a região mais enlutada do mundo pela pandemia do coronavírus, com 34% dos casos e 28% das mortes em nível global, enquanto representa 8,4% da população mundial.

No entanto, espera-se que Bolsonaro, muito criticado por sua gestão da pandemia e que não se vacinou, fale da defesa do marco temporal das terras indígenas, em análise pelo Supremo Tribunal Federal e criticado por ambientalistas e dirigentes indígenas.

Além de Bolsonaro - com reuniões previstas com Johnson e seu colega polonês, Andrezj Duda -, na agenda desta terça estão previstos o colombiano Iván Duque e o peruano Pedro Castillo, que conclui em Nova York sua primeira viagem internacional, que o levou antes ao México e a Washington.

Castillo se reunirá com Guterres, com a máxima autoridade do Banco Mundial (BM), David Malpass, e com a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva.

A Assembleia Geral contará, ainda, com a presença dos presidentes da Costa Rica, Carlos Alvarado, e da Argentina, Alberto Fernández, embora a presença deste último estivesse no ar devido à profunda crise política em seu país.

bur-yow/dga/mvv

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